Viagem de inverno à Noruega

O mundo está em reclusão nestes tempos que correm. Um vírus que foi baptizado de CODIV-19 está a mudar as nossas rotinas e até agora a melhor forma que conhecemos de o combater é ficar em casa e, assim, evitar que ele se espalhe demasiado.

Convido-vos a ficarem no conforto das vossas casas e a embarcarem numa viagem virtual pela Noruega, terra de paisagens de uma beleza única. Começamos por Andenes, onde ficamos dois dias, passaremos seis dias nas Ilhas Lofoten e visitaremos de relance a capital do país, Oslo.

A Noruega é a terra dos vikings, dos fiordes, do bacalhau, do sol da meia noite e das auroras boreais. E das mais belas paisagens de inverno que alguma vez vi, com praias quase virgens e baías onde as gaivotas esvoaçam graciosamente às centenas.

Este é o país mais setentrional dos países escandinavos. É muito comprido e faz fronteira com a Suécia, a Finlândia e a Rússia. Do norueguês pouco ou nada percebemos senão estivermos familiarizados com línguas germânicas, mas os noruegueses resolvem esse nosso problema falando um muito bom inglês.

Fui à Noruega num tour fotográfico, por isso não esperem visitas a museus, nem a monumentos históricos. Só tenho natureza para vos mostrar. Venham daí.

ANDENES, SANTUÁRIO DE BALEIAS

Andenes é o povoado mais setentrional da ilha Andøya e fica a escassos 300 km do Círculo Polar Ártico. Só isto já faz desta vila de pescadores um lugar especial mas a jóia da coroa está escondida no mar, onde habitam durante todo o ano várias colónias de baleias e cachalotes. Avistar baleias numa saída de barco é garantido quase a 100%. A imponência de um mamífero que mede em média 15 metros e pesa cerca de 52 toneladas mergulhando graciosamente nas águas límpidas do oceano árctico é um espectáculo que se grava na memória e fica para sempre.

Em dias de neve, frio e vento sabe muito bem ficar abrigado no Riggen, um restaurante com uma enorme sala de decoração nórdica, com madeira e peles de rena, com vista para o mar e onde servem das melhores panquecas que já comi, fofas e cobertas de compota ou chantilly, à escolha do freguês. É também aqui o Museu da Baleias e o ponto de encontro para o safari.

ILHAS LOFOTEN , UM TESOURO ESCONDIDO

Acho que nunca encontrarei as palavras certas para descrever a beleza deslumbrante destas ilhas. Aterrar nas Lofoten em pleno inverno é pôr os pés num outro mundo. Saímos de Bodø de barco, depois do nosso voo ter sido cancelado devido ao mau tempo, e atracámos em Stamsund, num cais coberto de neve, após quase cinco atribuladas horas de viagem num mar agitado pelo vento onde a neve caía. A alguns quilómetros do nosso destino, Leknes, e a várias horas de reencontrar o grupo a quem nos íamos juntar para um tour fotográfico, resolvemos ficar a passar aqui a noite. As facilidades proporcionadas pela internet permitiram-nos, ainda no barco, reservar um quarto no hotel a 400 metros do cais.

No dia seguinte o grupo, veio buscar-nos e seguimos viagem para Leknes, onde fomos ao supermercado abastecer-nos para a semana que íamos passar numa cabana de pescadores em Hamnøy, onde iriamos cozinhar todas as nossas refeições. Foram 60 km de estrada por entre mar e neve. Indescritível a beleza do percurso e da vila de pescadores. Esta é uma das imagens mais conhecidas de Hamnøy e percebe-se porquê. O local é lindíssimo e super fotografável.

Hamnøy ao nascer do sol

Foi uma semana de êxtase. As ilhas Lofoten oferecem uma paisagem de montanhas majestosas, fiordes, colónias de pássaros, sinfonia de gaivotas e extensas praias. No inverno, um manto de neve tudo cobre. Parece que estamos num paraíso de açúcar de pasteleiro com muitas cerejas deliciosas, que são as antigas cabanas de pescadores.

Sakrisøy é uma minúscula ilha situada entre um fiorde e o mar. A cabana amarela, outrora de pescadores e hoje em dia transformada em habitação turística, é o ícone do lugarejo. Aqui se vêm múltiplos secadores de peixe. Logo após o Natal, e até à Páscoa, o gigante bacalhau da Noruega fica a secar, empilhado no cais, até estar pronto para ser vendido e degustado pelos apreciadores de bacalhau seco.

Se quiser comprar ou degustar no local as especialidades da Noruega ou simplesmente tomar uma bebida quente para se aquecer, vá ao Anita’s Sea Food. Aposto que vai gostar!

Sakrisøy com a sua Cabana Amarela e os seus secadores de peixe ao ar livre

O tempo não estava nada de espectacular mas ainda assim proporcionou algumas belas imagens das praias onde a areia é totalmente coberta de neve por esta altura do ano. Nunca tinha visto nada assim. São praias lindíssimas abrigadas entre montanhas. Dá vontade de nunca mais de lá sair.

Praia de Uttakleiv

Num outro final de tarde, estas eram as cores do pôr do sol na praia de Unstad. Uma paisagem cénica e única.

Na ponta sul das Lofoten o outro local icónico a não perder é Reine. A vista é de cortar a respiração, com as cabanas de pescadores pontilhando a costa, sobressaindo dos picos graníticos das montanhas ao redor. Há quem diga que é o lugar mais bonito do mundo. Discutível, mas certamente está no top 10 das mais belas vilas deste planeta.

Terminamos esta viagem às Ilhas Lofoten com uma visita à igreja encarnada de Flakstad, construída em 1430, destruída por um furacão em 1700 e reconstruída em 1780. A igreja é construída em madeira, como a maior parte das casas norueguesas. As cores variam e dão muito colorido à paisagem, sobressaindo no branco da neve.

Já com saudades destas pérolas do mar do Ártico subimos a bordo de um avião da Wideroe e voamos para Oslo. Se puder, fique num lugar à janela, a vista vale bem a pena.

OSLO VISTA DE RELANCE

Chegámos a Oslo de avião no final do dia de sábado e apanhámos o comboio para o centro da cidade. Só estivemos uma manhã em Oslo. Nevava docemente de vez em quando e após o pequeno almoço metemos pés ao caminho e fomos visitar um bocadinho da cidade. Era nossa intenção almoçar uma das especialidades da gastronomia norueguesa confortavelmente instalados num dos elegantes restaurantes da cidade. Mas isso roubava-nos muito do pouco tempo que tínhamos até ao nosso vôo. Vai daí, almoçámos uma sandes a caminhar por Oslo.

Vista nocturna da cidade

Andámos pelas ruas nevadas de Oslo a sentir um pouco o pulsar da cidade num domingo de inverno. As lojas estavam fechadas, exceptuando as dos souvenirs, o movimento de pessoas era pouco e o frio obrigou-nos a vestir com os casacões quentes que, por vezes, tornam mais difíceis os movimentos. A cidade revelou-se simples, fácil de circular e com uma bonita relação com o mar.

Oslo tem muitas atracções culturais mas o curto tempo que ali passámos não nos permitiu nem visitar museus nem o famoso Parque Vigeland, conhecido pelas suas esculturas e por ser o pulmão da cidade.

Gostei da praça em frente ao Parlamento norueguês e do próprio edíficio do parlamento que já tinha visto na noite anterior, sobressaindo na neve que caía finamente à luz dos candeeiros da cidade.

Parlamento norueguês

Percorremos as ruas até ao mar: Queríamos ver o Forte de Akershus, debruçado sobre uma longa língua de água do mar do Norte. É uma construção medieval data de 1299, construída para que a cidade pudesse evitar os vários cercos dos países vizinhos, especialmente da Suécia, de que foi sendo alvo ao longo de séculos. É possível visitar o interior do forte de Abril a Outubro. A entrada é gratuita.

Entrada para o Forte

Acedemos ao complexo vindos do lado da Ópera de Oslo, passando pelo parque do Museu Forsvaret Tinha estado a nevar e o chão era um tapete branco, gélido e belo.

No regresso entrámos na Catedral e ficámos a assistir a um baptizado colectivo, numa igreja repleta de famílias que se saudavam com respeito, esperando a hora da cerimónia. Apreciámos os fatos tradicionais que algumas mães traziam e que davam um especial colorido ao lugar.

E aqui chegou ao fim uma inesquecível viagem invernal por um dos mais belos países que já visitei até hoje. À chegada ao aeroporto já tinha saudades, mesmo antes de embarcar no avião de regresso a casa. Voltarei um dia para apreciar o verão nos fiordes e nas Lofoten.

https://www.seasafariandenes.no/

⛅ QUANDO VIAJAR PARA A NORUEGA

Tudo depende do que procura. Nós fomos no inverno, altura do ano que proporciona fantásticas e monocromáticas paisagens nevadas, desportos de inverno, incluindo passeios de trenó puxado por cães husky, avistamento de baleias e actividades de ski. É também uma das alturas preferidas dos fotógrafos pela beleza das montanhas nevadas e pelas auroras boreais.

Na primavera e verão toda a paisagem fica colorida, florida, os cruzeiros aos fiordes são muitos, o mar estará mais calmo e o vento mais brando. As temperaturas serão também mais elevadas.

😴 ONDE DORMIR

À excepção das Ilhas Lofoten onde ficámos numa antiga cabine de pescador reservada pelo organizador do tour fotográfico, marcámos todos os alojamentos através do ebooking.

Nas Lofoten o melhor é procurar pelas antigas cabanas de pescadores, mas há outros alojamentos nas ilhas de que também poderá gostar. As cabanas são antigos alojamentos de pescadores renovadas para acolher os turistas. Estão situadas em pontos junto à água, são bastante confortáveis e equipadas com tudo o que necessita para uma estada tranquila. O número de quartos varia pelo que podem acolher grupos pequenos ou de média dimensão. A cozinha tem tudo o que é preciso para preparar refeições.

Em Andenes ficámos no Kristina apartment e alma-house e gostámos muito. Trata-se de uma antiga casa de família, com 2 quartos com casa de banho privada, duas salas, uma de refeições e outra de estar e uma espaçosa cozinha. A decoração é dos anos 40, diria eu. Ficámos três dias, partilhando a casa com um casal alemão que vai regularmente à Noruega em longas estadas. Aprendemos algumas coisas interessantes com eles, em conversas ao pequeno almoço e ao final do dia. Uma das vantagens deste tipo de alojamento é que podemos cozinhar, o que permite equilibrar o orçamento. A casa está virada para o mar, a dez minutos a pé do Centro de Observação de Baleias e dos cruzeiros às baleias. Foi uma excelente escolha. Sentimo-nos em casa.

Em Bodø pernoitamos no Scandic Havet, confortável, bem localizado. A cidade é uma quadrícula de prédios quadrados, sem carácter e que nos pareceu bastante inóspita. É uma das maiores cidades do país, mas não recomendo uma visita.

Em Oslo escolhemos o Bondeheimen, que fica a 10 minutos a pé da estação central de comboios e a 100 metros do Parlamento norueguês. Tem um pequeno almoço fabuloso e a melhor localização para explorar Oslo.

Em Stamsund dormimos no hotel Live Lofoten. Os critérios de escolha foram o preço e a localização. O hotel fica a 10 minutos a pé do cais de desembarque onde atracam os ferries da Norvegian cruise lines A relação preço/qualidade é muito positiva. O serviço é afável e o pequeno almoço de boa qualidade e variável, incluindo produtos sem lactose e sem glúten.

🍴 SENTADA À MESA

A maior parte das nossas refeições foram cozinhadas em casa. Em Bodø há uma boa oferta de restaurantes. Demos uma volta ao entardecer e não muito longe do hotel escolhemos o En Kopp. Comemos uma Salada de Frango que estava bastante boa e um prato de salmão, que estava fresquíssimo, não fosse este um dos peixes reis na Noruega.

Em Oslo, a nossa intenção era comer um dos pratos nacionais, o Fårikål. Não tivemos tempo, mas posso dizer que um dos melhores locais para degustar este prato é o restaurante Kaffistova que faz parte do hotel Bondeheimen.

Na noite de chegada jantámos no Hard Rock cafe e não ficámos desiludidos. As saladas são excelentes, sobretudo a César, e muito bem servidas. A entrada de camarão estava muito boa, os rolinhos primavera também. O ambiente é ruidoso mas a decoração é muito bonita, assim como todo o edifício.

Hard Rock cafe

🚍 TRANSPORTES

Há muitas maneiras de viajar na Noruega. Para as ilhas Lofoten e para outros pontos do país pode-se voar na companhia aérea Wideroe e para Oslo na Scandinavian Airlines Prepare-se para ter vôos cancelados devido ao vento, tanto no inverno como no verão.

Há várias ligações de barco entre as ilhas. Se optar por este meio de transporte aconselho a que tome um medicamento para o enjoo três horas antes de embarcar. Sobretudo no inverno o mar é agitado, as travessias de várias horas e vi os corredores do grande ferry a servir de cama para muita gente cheia de vómitos. Os bilhetes podem ser comprados dentro do navio. Se optar pelo carro saiba que as estradas são boas, não há portagens mas no inverno tem que circular com cuidado redobrado por causa da neve e do gelo. Compre produto para limpar os vidros do carro que estarão cobertos de gelo todas as manhãs. Encontra o produto nos supermercados e nas estações de serviço. Tem ainda a hipótese de viajar de autocarro ou de comboio. Nas cidades pode ainda usar o eléctrico. Veja aqui todas estas possibilidades visitnorway_different ways

No safari às baleias o medicamento para o enjoo é ainda mais necessário porque o mar é agitado no inverno e a embarcação de médio porte balança constantemente durante as 2 horas e meia de viagem.

🌞 METEOROLOGIA NA NORUEGA

Tempo na Noruega

💡 DICAS

O QUE VESTIR – Para enfrentar as temperaturas de inverno e poder caminhar na neve e no gelo em segurança aconselho:

  • parka impermeável polar concebida para manter o calor em temperaturas negativas. Existem várias opções (-20 graus, – 25 graus; – 30 graus)
  • camisolas polar
  • t-shirt
  • meias térmicas de caminhada (calor médio, forte ou muito forte)
  • escalfetas de mãos e pés
  • gorro impermeável e forrado
  • leggins térmicas
  • golas para o rosto ou passa-montanhas
  • luvas polares
  • botas de neve
  • galochas
  • anti-deslize flexíveis com espigões metálicos antiderrapantes para as botas
  • bastões de ski de caminhada (escolha um desdobrável que caiba facilmente na sua bagagem)
  1. Leve também batom protector porque o vento e o frio secam os lábios
  2. pantufas ou meias quentes para andar em casa visto que a regra na Noruega é não se entrar calçado em casa
  3. ligaduras elásticas para tornozelos, pulos, etc.
  4. pomada de massagem muscular

Existe roupa de aquecimento eléctrico. A minha experiência diz-me que é desnecessária.

DINHEIRO

A moeda do país é a coroa norueguesa. Pode fazer o câmbio no seu país de origem ou simplesmente usar cartão de débito ou crédito. Os terminais multibanco das lojas dão o valor em coroa norueguesa e em euros, pelo que pode facilmente ver o valor da sua compra e optar pela moeda em que quer proceder ao pagamento.

LÍNGUA

80% da população norueguesa fala inglês e a maior parte tem um domínio da língua muito elevado.

FOTOGRAFIA

A quem vai fotografar aconselho:

  • Baterias – leve no mínimo três baterias. Estas descarregam facilmente com o frio e deve estar preparado com suplentes. Mantenha-as quentes, de preferência junto ao seu corpo.
  • Carregadores de baterias
  • Cartões de memória. Leve vários e mantenha-os longe de qualquer material magnético para não provocar falhas de funcionamento e de leitura dos ficheiros
  • Objectivas: quando regressar a casa mantenha-as na parte mais fria do alojamento para evitar condensação no interior da lente devido ao calor do interior das casas
  • Tripé
  • Capa protectora para a chuva
  • Panos de limpeza ( nestes ambientes frios a lentes tendem a embaciar bastante e também podem ficar sujas com salpicos de neve)

2 thoughts on “Viagem de inverno à Noruega

  1. Olá Graça. Este artigo estava na forja desde início de Abril. Deu-me muito prazer escrevê-lo porque foi um revisitar deste país ao qual recomendo fortemente uma visita. Obrigada pela sua sempre excelente companhia aqui no Laurear o Queijo. Um abraço virtual. Até ao próximo artigo.

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