Outono em Paris

Todos os pretextos são bons para ir a Paris. Desta vez dissemos cá para connosco que no Outono a cidade estaria particularmente bela e que seria óptimo ir lá tirar umas fotos. E para dar uma escapadinha romântica de dois dias.

À chegada à Gare du Nord escolhemos fazer a pé o caminho para o hotel e, porque nos perdemos, descobrimos o muito na moda bairro Strasbourg-St. Dennis. Este é o bairro mais cool de Paris e o lugar ideal para jantar ou apenas beber um copo. Comemos num pequeno e típico bistrô ao lado do teatro.

Dia 1 – Museu d’Orsay, Jardim de Tuileries e Torre Eifel à noite

Tantas, tantas vezes que já tínhamos ido a Paris ao longos de 30 anos de viagens e nunca tínhamos visitado o Museu d’Orsay. Muito catitas, debaixo de chuva miúda, lá fomos nós até ao Quai d’Orsay para, finalmente, ver a riquíssima colecção de pintura impressionista, para além da exposição temporária de Edgar Degas e do acervo de esculturas.

Nave principal do Museu d’Orsay com a sua fabulosa cúpula

O edifício merece só por si a visita. Era na origem uma estação ferroviária, construída num estilo glamoroso como só os franceses sabem fazer, para servir a Exposição Universal de 1900.

Está situado na margem esquerda do rio Sena, em frente ao Museu do Louvre e do Jardim das Tulherias, arrebatador cenário que se avista do quinto andar do museu. O antigo relógio da estação, a par da sua cúpula, são os ex-libris deste edifício.

À saída do museu temos à nossa frente o Quai de la Seine, uma escadaria de madeira a dar para o rio e a passarela que liga as duas margens do rio. Em dias de sol são aprazíveis locais de passeio ou para fazer uma pausa, contemplando a paisagem urbana parisiense. Do lado de lá fica o lindíssimo Jardim des Tuilleries e o Louvre.

O final de tarde chegava rápido, o sol sorria, tímido, num céu de algodão doce e deixámo-nos andar por ali, a saborear, embalados pelas doces cor do Outono.

O Louvre ao fundo

O JARDIM DE TUILERIES é o mais antigo e um dos mais belos jardins parisienses e daqui se avista quase tudo o que é grandioso e merece uma visita em Paris. Situado entre a praça Concorde e o Louvre, vizinho do Museu d’Orsay, perto da praça Vendôme e da Ópera Garnier, é um terraço aberto sobre a cidade. Se entrar no jardim a partir do Louvre, atente na fantástica perspectiva que vai do Arco do Carrousel até o Grande Arco de la Defense, passando pela praça Concorde, pelos Campos Elíseos e pelo Arco do Triunfo. Do centro do jardim, olhando para o Museu d’Orsay, vemos à direita a majestosa Torre Eifel. Este jardim é também um museu ao ar livre. Passeando-nos vagarosamente e de olhar atento, veremos que entre árvores e arbusto reposam esculturas de Rodin, de Carpeaux, de Max Ernst, Giacometti, Dubuffet, Henry Moore. Esteja a metereologia a favor e podemos sentar-nos nas famosas cadeiras dispostas ao longo do jardim e à volta do lago e ficar a contemplar todas estas belezas. Num exercício de imaginação poderá tentar visualizar o palácio de Tuleries que aqui foi mandado construir por Catherine de Médicis, num espaço onde outrora tinha existido uma fábrica de tuiles (telhas), que deu o nome ao conjunto. O Palácio de Tuileries foi parcialmente queimado durante a guerra civil em 1871 e demolido em 1883.   Todos os anos, o Jardim de Tuleries dá as boas-vindas à FIAC (Feira Internacional de Arte Contemporânea), embelezando Paris e Praça Concorde com diversas peças de arte, na sua grande maioria esculturas, que são instaladas em terra, no ar e na água. Cuidando para que os jardins se perpetuem no tempo, duas vezes por ano, na Primavera e no Outono, os jardineiros plantam e substituem mais de 70.000 plantas e flores.

Uma excelente maneira de ver Paris e os seus monumentos é fazer um cruzeiro no Sena. Há várias possibilidades à disposição do turista, com passeios entre uma e duas horas, quer de dia quer ao entardecer, com ou sem refeição a bordo. Espreite aqui a ver se se deixa tentar por alguma das opções dos Bateaux parisiens.

Ver paris em autocarro com paragens livres é também uma excelente opção para visitar a cidade, sendo a grande vantagem a de poder sair, visitar os pontos históricos, voltar a entrar e prosseguir viagem. Tudo com o mesmo bilhete.

O dia acabou em esplendor, num jantar com vista para a Torre Eiffel. Com o amor da sua vida, com amigos ou em família, um jantar à luz da Dama de Ferro será sempre uma feliz e indelével memória de férias.

Dia 2 – Museu da Orangeria e Torre Eiffel de dia

Gosta de laranjeiras? Fique então sabendo que o edifício do Museu da Orangerie foi construído em 1852 para abrigar durante o inverno as laranjeiras que decoravam o jardim do Palácio das Tuilleries. Foi o Imperador Napoleão III quem encomendou esta construção à beira do Sena, concebida para ser uma espécie de estufa, com sua fachada sul envidraçada virada para o rio de modo a receber a luz e o calor do sol. Com a queda do Império em 1870 e o incêndio do Palácio das Tuileries, a estufa de laranjeiras passa para o domínio do Estado. Continua a abrigar as árvores cítricas mas começa também a acolher diversos eventos hortícolas, musicais, banquetes, concursos e exposições caninas, mantendo-se assim até 1922.

O fim da II Guerra Mundial vem mudar o destino deste edifício, ditando o fim do Laranjal e da estufa. Em 1921, o Estado cede o local ao Subsecretário de Estado de Belas Artes para aí criar um espaço dedicado à exposição de obras de arte de artistas vivos. Foi então que Georges Clemenceau (1841-1929), Presidente do Conselho, teve a fabulosa ideia de instalar na Orangerie o grande conjunto de Nenúfares que Claude Monet, o génio do Impressionismo, estava a pintar e que ofereceu ao Estado francês em 1922. Esta é uma das minhas obras de arte preferidas e não me canso de visitá-la. Já por lá passei três vezes e recomendo vivamente a visita a quem for a Paris. Os nenúfares ocupam duas salas ovais, banhadas de luz que entra pelos tectos de vidro, fazendo resplandecer as pinceladas de Monet que, com tanto carinho, ali retratou o seu amado Jardim em Giverny. Em turismo ou em trabalho vá mergulhar neste jardim encantado de Monet. A dimensão do museu permite que se faça uma visita em cerca de hora e meia, sendo que recomendo a compra prévio do bilhete de entrada através do site do museu, disponível em inglês e francês. No mesmo edifício podem ainda visitar-se as colecções de Jean Walter e de Paul Guillaume, que incluem um total de 146 obras de Paul Cézanne, André Derain, Paul Gauguin, Marie Laurencin, Henri Matisse, Amedeo Modigliani, Claude Monet, Pablo Picasso, Auguste Renoir, Henri Rousseau dit Le Douanier, Alfred Sisley, Chaïm Soutine, Maurice Utrillo e Kees Van Dongenhttps://arteeartistas.com.br/nenufares-de-claude-monet/  

Finda a visita ao museu apanhámos o metro e fomos até à estação Bir-Haikeim para ver a Dama de Ferro vestida com as cores de outono. É sempre uma agradavél surpresa dobrar uma esquina e dar de caras com a elegante e esguia Torre Eiffel, passear à volta no jardim que a rodeia e subir até ao Trocadero, passando pelos carroceis coloridos instalados de ambos os lados de Champs de Mars. Do topo, contemple a torre em todo a sua beleza, espelhada na grande fonte Varsóvia nos jardins do Trocadero.

Se quiser apreciar esta vista no quente de uma esplanada, a tomar a sua bebida preferida, recomendo o Cafe de l’Homme.

Chegada a hora de voltar para casa resta-nos dizer À la prochaine Paris, la belle!

ℹ️ INFORMAÇÕES & 💡 DICAS

Informações práticas sobre o Museu d’Orsay à mão de um clique

Se quiser planear uma visita a Paris veja o que lhe oferece o Paris info

Para informações sobre quando ia a Paris, onde dormir, o que comer, compra de bilhetes e metro, para a Torre Eiffel e museus veja a anterior publicação Paris em dois dias

2 thoughts on “Outono em Paris

  1. Já sabe que eu adoro os seus passeios, fotografias e sobretudo as descrições com os comentários e as dicas.
    Mesmo tendo um azedume em visitar Paris (más recordações familiares) fico sempre com vontade de mudar de ideia …

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    1. Grata pelas suas palavras que me incentivam a prosseguir com o blogue, Graça. Dê uma oportunidade a si e a Paris. Quem sabe vai (re)aprender a gostar desta cidade tão bonita e luminosa. Um abraço. Saudações bloguistas.

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