Petra e outras maravilhas da Jordânia

É em Petra que retomo o relato da viagem de cinco dias à Jordânia, depois de no artigo anterior ter visitado Jerash e outras maravilhas da Jordania com vocês. A narrativa de hoje leva-nos de Petra ao Deserto de Wadi Rum, passando pelo castelo de Shobak.

DIA 2 a 4 – PETRA, A JÓIA COR DE ROSA ESCULPIDA EM PEDRA NO CORAÇÃO DA JORDÂNIA

Chegar a Petra, ou a Cidade Rosa, considerada uma das 7 Maravilhas do Mundo, é um acontecimento de peso. Passado o controlo na chama Porta de Frente fizemos o Sik, o grande desfiladeiro por onde passavam as carruagens repletas de mercadorias e que é uma das portas de entrada para este mundo cor de rosa.

O desfiladeiro vai estreitando até atingir apenas 1 metro de largura. No final o Tesouro revela-se, primeiro subtilmente, depois em todo o seu esplendor, deixando-nos petrificados de espanto. Pela manhã, toda a fachada de 40 metros de altura se ilumina, mostrando toda a harmonia da arquitectura de Alexandria. Esperei a qualquer momento ver surgir Indiana Jones, na sua última cruzada em busca do cálice sagrado.

Não sonhe encontrar Indi aqui, nem os infindáveis corredores por ele percorridos na sua busca do Tesouro, nem outras riquezas senão as da beleza da pedra e as salas que serviam de túmulos. Mas deixe-se perder um pouco a noção do tempo e demore-se neste lugar fantástico.

Voltaremos aqui mais uma vez no decurso da nossa estadia, tentando encher os olhos com esta deslumbrante criação do homem e inscrevê-la em pedra na nossa memória. É para ver, rever e saborear Petra que se deve ficar dois dias aqui.

O Tesouro, ou Khazneh em árabe
Provavelmente um monumento funerário real

Ficámos três dias em Petra e tivemos o imenso privilégio de aqui pernoitar. Ver a Cidade Rosa acordar lentamente ao nascer do sol, com os primeiros nómadas a entrar com os seus camelos e os vendedores de bijutarias a instalarem-se vagarosamente, é como estar a ver num filme em câmara lenta. Mais impressionante que isto só mesmo olhar Petra no silêncio da noite, adivinhando as rochas que àquela hora se escondem na escuridão e deixar a imaginação voar, até conseguirmos ouvir os Reis Nabateus discutindo mais uma rota de comércio ou uma estratégia de defesa da cidade, como o faziam há muitos séculos atrás.

Petra, a capital dos Nabateus, era uma cidade-fortaleza quase inexpugnável que eles começaram a edificar há 23 séculos atrás. Por se situar numa depressão rodeada de altas montanhas rochosas por todos os lados era acessível apenas através de desfiladeiros estreitos e longos, o que muito facilitava a sua defesa.

Da história remota dos nabateus sabe-se que eram uma das tribos nómadas árabes. A partir do século VI A.C ocuparam o sul da arábia e várias regiões do norte e do oeste, incluindo o Egipto, controlando as estradas que então existiam. Assim enriqueceram porque as caravanas que transportavam mirra e incenso tinham que pagar-lhes uma portagem, a fim de poderem passar em segurança pelo país. Ricos, com tempo e muita matéria prima disponível, os nabateus decidiram criar uma maravilhosa cidade, não construindo com pedra mas sim escavando nela. E assim nasceram belos palácios, templos e habitações. Curiosamente, estas últimas eram as construções mais singelas, sendo que o trabalho artístico ficava reservado às fachadas dos templos e monumentos funerários.

O Mosteiro

A subida até ao Mosteiro, ou Al-Deir em árabe, faz-se por uma longa e íngreme escadaria de 800 degraus talhados na rocha. Mesmo com a ajuda dos Deuses é preciso ter uma boa forma física para se chegar lá acima sem estar ofegante e com as pernas a pedir descanso. Mas vale a pena para ver esta monumental edificação cravada na rocha. Se não quiser ou não poder fazer o esforço da subida vá de burro. Lá no alto estará um árabe na sua tenda oferecendo um saboroso chá quente a quem se afoitou por esta tão exigente subida. Aceite a dádiva, sente-se num dos muitos tapetes postos à disposição dos turistas e saboreie a vista colossal que daqui se abrange.

O Mosteiro é uma das maiores construções de Petra, com 47 metros de largura e 48 de altura. Seria um local de culto, assim o sugere a presença de um nicho numa das paredes onde, outrora, parece ter estado um altar de oração e também por não haver nenhum túmulo no seu interior.

O pequeno ponto que sou eu dá-vos uma ideia da dimensão do Mosteiro

A grande riqueza do interior do Mosteiro, como de muitos outros edifícios, é a pedra, sempre rainha, exibindo as suas esplendorosas cores, onde predominam os tons rosa mas também amarelos, castanhos e pretos.

Nichos esculpidos na pedra que sugerem a antiga presença de um altar de oração

A cidade tem centenas de túmulos, casas, templos e palácios e os arqueólogos continuam a fazer descobertas. Para onde quer que nos viremos, Petra não deixa de nos surpreender.

O Túmulo da Urna é um dos quatro túmulos reais de Petra.
Pensa-se ser o túmulo do rei Nabateno, Malco II
Foi reocupado pelos Bizantinos que lhe deram a função de igreja

Se for com tempo, aproveite para se sentar a beber um chá e deixe-se ficar a contemplar a beleza à sua volta, os dromedários a passar languidamente pelos caminhos, os crentes recolhendo-se em oração, os vendedores de bijutarias a regatear preços e, sobretudo, admire os inúmeros e fabulosos detalhes destas edificações escavadas na pedra. Deixe-se tocar pela magia do lugar.

Shobak, o mais remoto dos castelos da Jordânia  

Shobak fica na famosa Estrada Real, de importância maior desde tempos remotos, porque dela dependia grandemente a actividade comercial dos povos do Médio Oriente. Ligava a África à Mesopotâmia, indo do Egipto até Aqaba, passando pela Península do Sinai. Já nos séculos IV e III A.C, os Nabantinos usavam esta estrada, que passa por Petra. Foi reconstruída no século I D.C pelo Imperador Trajano, quando este venceu os Reis Nabantinos. Sentado no topo de uma montanha, a quase 1 000 metros de altitude, a fortificação domina os vales em redor. É um fantástico castelo, particularmente impressionante devido à sua localização remota no deserto, o que nos faz sentir num mundo lunar muito, muito longe de casa.

O castelo foi mandado construir em 1115 sob o domínio do rei Balduíno I. Uma grande parte da fortificação que vemos hoje resulta de reconstruções e acrescentos feitos no período mameluco. O conjunto inclui duas igrejas. A primeira, perto da entrada do castelo, foi reconstruída e tem um pequeno batistério. A segunda, com as suas catacumbas, está localizada logo após a torre de vigia. O seu interior alberga tabuletas islâmicas, esculturas cristãs e o trono de Saladino.

Com muita pena minha perdi todas as fotos que fiz do Castelo e nada tenho para vos mostrar 😔

Dia 5 – WADI RUM OU O VALE DA LUA

Também o deserto faz parte deste mundo cor de rosa. O famoso Lawrence das Arábias, oficial britânico de ligação durante a Revolta Árabe de 19161918, descreveu Wadi Rum como um “deserto vasto, que ecoa e semelhante a Deus“.

Aqui se move um povo nómada que percorre esta terra desde tempos imemoriais em busca de água e alimentos para os seus rebanhos de cabras, ovelhas e camelos. Devido à extrema condição de secura que afecta o deserto desde há algumas décadas muitos beduínos tornaram-se sedentários, dedicando-se ao turismo e guiando-nos pelo deserto fora, como se todo o mapa do Wadi Rum estivesse nos seus olhos. É um povo reservado mas acolhedor e o turismo foi a sua porta de entrada para conhecerem o mundo que existe para além do deserto.

Homem com o Bint Al Bakkar na cabeça
É um pedaço de tecido de algodão, mantido por aros duplos chamados iqal ou amarrados à volta da cabeça. O Bint Al Bakkar é originalmente de Kufa, uma cidade no Iraqu. É usado pelos beduínos da região e protege contra o calor e as tempestades de areia. Também permite distinguir entre camponeses e outros habitantes.
Com o tempo, tornou-se um objecto de moda.

As areias do Wadi Rum estendem-se ao longo de mais de 700km2. As dunas escondem vários lugares relacionados com a passagem aventureira de Sir Lawrence, e aonde só um guia nos consegue levar.

Sir Thomas Edward Lawrence escreveu Os Sete Pilares da Sabedoria, livro que narra a sua participação no movimento nacionalista árabe, durante a Primeira Guerra Mundial, representando o Reino Unido. A referência a esta obra é uma enorme formação rochosa situada logo a seguir ao Centro de Visitantes. Poderá também visitar a nascente de Ain Shalaleeh junto à vila de Rum, um dos locais detalhadamente descritos no livro. Daqui pode-se desfrutar da bonita vista da vila de Rum e do vale.

Passe também pela nascente de Lawrence de onde se tem uma vista fascinante sobre o deserto de Wadi Rum. O último local de visita é a Casa de Lawrence. Não há a certeza de que o dito cujo viveu aqui, a casa está em ruínas mas deste ponto pode testar o eco entre as impressionantes montanhas da região.

Uma das mais fortes imagens que guardo da minha passagem pelo deserto foi avistar ao longe um conjunto de tendas, aprumadas ao céu azul e sentir que ali pulsava uma energia inexplicável, algo selvagem, algo livre. Lá dentro fervilhava chá que um beduíno oferecia ao visitante, e que foi bebido em copo de vidro enquanto, sentados no chão, contemplávamos as dunas, as enormes rochas e a imensidão do deserto. Com essa imagem findo este relato pelas arábias.

⛅️ QUANDO VIAJAR PARA A JORDÂNIA

Como em qualquer país no Médio Oriente a Primavera e o Outono são as melhores estações do ano para visitar a Jordânia. O Verão é extremamente quente e o Inverno bastante frio, sobretudo no interior e durante a noite, podendo assistir-se a alguns nevões.

Entre Junho e Agosto praticamente não chove, mas a temperatura pode facilmente atingir 40°C, com ventanias capazes de ocasionar tempestades de areia.

De Março a Maio as temperaturas máximas variam entre 16 e 26 graus, sendo muito agradável para passear.

De Setembro a Novembro as temperaturas máximas vão de 20 a 30 graus e a água do mar está morna. Foi nesta altura que fomos.

😴 ONDE DORMIR

Em Petra só podemos recomendar uma visita ao site do booking.com/Petra‎ e do Tripadvisor.com/Petra_Wadi_Musa, visto que recorremos a alojamento local e não utilizámos hotéis.

O núcleo arqueológico de Petra é uma área protegida e não se pode lá pernoitar. Todos os hotéis estão situados em Wadi Musa, a cidade construída pelo Governo da Jordânia para alojar todos os beduínos que viviam em Petra. Este realojamento foi feito para preservar a cidade antiga.

🍴 SENTADOS À MESA

Em Petra/Wadi Musa não podemos recomendar restaurantes porque cozinhamos sempre na Missão Arqueológica. Em Wadi Musa, onde fomos ao mercado, comemos umas pitas simples com queijo e bebemos chá. Espreite as sugestões do Tripadvisor. De certo encontrará algo que lhe agrade.

🚖 TRANSPORTES

Todas as nossas viagens foram feitas de carro, com motorista. Na maioria das vezes era o amigo com quem nos encontrámos na Jordânia quem nos levava a visitar os locais. Se contratar um motorista ou um serviço de táxi, assegure-se que ele percebe bem qual o dia, a hora e local do início do trajecto.

autocarros que ligam o aeroporto de Amã a Petra. O trajecto demora cerca de 4 horas. A Jordânia não tem rede ferroviária, mas compensa com uma rede rodoviária de qualidade. As estradas estão em relativo bom estado, mas a condução é de filme de cowboys. Tome um calmante antes da viagem se a condução tipo perseguição à filme americano lhe aumenta a pressão arterial.

👜 ARTESANATO

Petra é o paraíso de quem gosta de bugigangas e de bijutarias. Várias são as tendas de vendedores/as espalhados pelo site. Compre cerâmica pintada, lenços, chá, sabonetes e muitos colares, pulseiras e brincos, tudo com pedras super coloridas.

Lembre-se de regatear (muito) os preços. Além de ser uma prática bem vista pelos árabes é também a forma de pagar um preço justo para ambas as partes, vendedor e comprador.

☀️ ️METEOROLOGIA NA JORDÂNIA

Tempo na Jordânia

FORMALIDADES

Veja aqui se precisa de Visto para a Jordania e como pode obtê-lo. Para a grande maioria das nacionalidades o visto pode ser comprado à chegada ao aeroporto na Jordânia.

💡 DICAS

  • QUANTO TEMPO FICAR EM PETRA E COMO VISITAR

O preço da entrada para um dia são 50 dinares jordanos (64€) e para dois dias 55 dinares jordanos (70€). Se poder ficar dois dias aconselho fortemente a fazê-lo.Petra é um lugar enorme, com muitas maravilhas arqueológicas para visitar para além do Tesouro e um dia é curto para apreciar com calma todas estes riquezas de pedra. Não aconselho uma visita relâmpago.

Encontra aqui informação relativa à compra de bilhetes para visitar Petra

Se não for adepto de caminhadas, ou não as poder fazer, saiba que poderá visitar Petra no dorso de um dromedário, de um burro ou numa das inúmeras caleches que se podem alugar em vários pontos do site, sem reserva prévia.

Levante-se bem cedo pela manhã do primeiro dia para visitar a cidade, evitando as horas de mais calor, quando poderá sentar-se a comer à sombra. Leve farnel consigo para ter a certeza que tem o que comer e beber.

No segundo dia, suba ao Mosteiro também cedo pela manhã. Se a subida já de si não é pêra doce o grau de dificuldade piora bastante com o sol escaldante a queimar-nos a pele e a derreter-nos os músculos, incluindo o nosso pobre coração. Conte com pelo menos meia hora para fazer a subida. A alternativa é ir de burro.

Leve calçado confortável, chapéu e água em abundância.

  • DINHEIRO

Quando visitei Petra não havia lá Caixas Multibanco, apenas em Wadi Musa. Por precaução troque dinheiro no aeroporto em Amã ou em Aqaba. Em Petra é aconselhável ter dinares jordanos consigo. Ter muitas moedas dá imenso jeito, sobretudo para as gorjetas, aquela coisa a que dificilmente se consegue escapar por estas bandas.

  • COMPORTAMENTOS

O corpo é para andar coberto, o que até protege do sol e conserva a humidade da pele. Se não quiser chamar a atenção sobre si adopte o código de vestuário da população local. Calça e camisa ou t-shirt para eles e vestidos ou saias longas com blusas de manga curta para elas. Cobrir a cabeça às vezes dá jeito por causa do sol, mas não é de todo obrigatório. Ponha na mala vestuário leve, confortável, sapatos adequados a caminhada, um agasalho para a noite, chapéu, lenços para se proteger do sol e da areia.

Como em muitos outros países por estas paragens, o homem tem sempre a primazia. Não me canso de dizer que nada nestas culturas milenares vai mudar por causa de nós. Coração ao alto, uma boa dose de respeito e muita tranquilidade permite-nos aceitar códigos culturais locais e ter umas férias sossegadas.

  • GUIA LOCAL

Ter um guia local é uma mais valia, tanto em Petra como no Wadi Rum. Dá-nos informações que não vêm nos livros de turismo, leva-nos aos locais de visita sem perdermos tempo a procurar o caminho, protege-nos de uma certa insistência dos vendedores para que compremos mercadoria.

Também servem de interpretes na nossa relação com as populações locais que, na maior parte dos casos, só falam as suas línguas maternas. Na Jordânia a língua oficial é o árabe e apenas uma minoria fala inglês. Pode contratar um guia através da agência de viagens, se recorrer aos serviços de alguma para organizar a sua visita à Jordânia. Senão, a maioria dos sites históricos dispõem de guias oficiais que pode contratar no momento. Tanto em Petra como no Wadi Rum este serviço encontra-se disponível logo à entrada.

  • SEGURANÇA

Apesar da recente instabilidade na Síria ter afectado a Jordânia este ainda é um país com bastante segurança. Petra e o Wadi Rum estão bastante longe das zonas de conflito e pode dizer-se que é seguro passear por lá.

Evite aproximar-se das fronteiras dos países em conflito e verifique as informações sobre a situação no Portal das Comunidades Portuguesas.

CURIOSIDADES

🌐 MAPA DA VIAGEM NA JORDÂNIA

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