Paris em dois dias

Pôr do Sol

“Paris é sempre uma boa ideia,” dizia Audrey Hepburn. Não podemos estar mais de acordo. Há um não sei quê de especial nesta cidade que não se consegue descrever. Tem que se ir lá para sentir e foi isso que fizemos. Dois dias para matar saudades e laurear o queijo nas ruas desta charmosa cidade.

Chegámos sexta-feira ao final do dia e fomos logo sentir o ambiente parisiense, jantando numa pequena esplanada com vista para o grande Boulevard de Montparnasse.

Boulevard de Montparnasse

Como já devemos ter visitado Paris pelo menos umas dez vezes, neste curto fim de semana pusemos de lado quaisquer visitas a museus e fomos apenas saborear o ar parisiense, passear pelos grandes boulevards. Como dizem os franceses, fomos “flâner à Paris”.

Sábado, por volta das 7h00, pusemos pernas ao caminho e fomos passear a pé pela cidade, que começava a acordar. Se é que chega a adormecer. Não há melhor maneira de ver uma cidade que caminhando pelas ruas. A luz da manhã é mágica, doce. Se nunca acordou antes do sol nascer para ir visitar uma cidade, ou apreciar uma paisagem, convido a que faça a experiência. Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

A primeira paragem foi na Ponte Alexandre III, que atravessa o Sena e liga o Cais de Orsay aos Invalides, oferecendo uma bonita vista para a Torre Eiffel.

Ponte Alexandre III
com os Invalides ao fundo
A grande estátua negra é a Ninfa do Sena

A ponte simboliza a amizade entre a França e a Rússia. Em 1896, o Czar Nicolau II, filho de Alexandre III, lança a primeira pedra da construção desta magnífica obra de arte.

É frequente ver cenas de modelos, actores e fotógrafos, uns posando para a câmara, os outros procurando a melhor pose, a melhor luz, o melhor enquadramento. O cenário é monumental e presta-se a grandes fotos.

A ponte é iluminada por 32 candelabros, vigiada gentilmente por pequenos anjos dourados e acolhe ao centro duas Ninfas negras. As quatro grandes estátuas douradas que se encontram em ambas as pontas da ponte são as “Renomadas” – a da Agricultura, a das Artes, a da Idade Média e a do Combate. O conjunto é grandioso, belo e atravessar o Sena por esta ponte é sentir-me uma princesa em Paris.

As delícias de se andar a pé são estes encontros com recantos verdejantes e a belíssima arquitectura parisiense, aqui banhada pelo sol da manhã.

O Pequeno Palácio, ou le Petit Palais em francês, é um edifício histórico que abriga o Museu das Belas Artes. Às primeiras horas da manhã o magnífico portal dourado filtra a luz do sol com misteriosa suavidade. Também por aqui se vêm sessões fotográficas logo cedo, ao nascer do dia. São as personagens do Instagram em busca do melhor clique.

O Petit Palais

O Pequeno Palácio merece uma visita pela riqueza do seu interior e pela colecção permanente do Museu que inclui, entre outras, obras de Delacroix, Toulouse-Lautrec e Courbet. Se for hora de almoçar fique pelo restaurante graciosamente instalado no jardim interior do edifício.

A caminhada leva-nos até ao muito conhecido Arco do Triunfo, sempre rodeado de turistas e de carros, erguendo-se altivamente no topo das doze avenidas que para ele confluem.

Lentamente, neste nosso passeio matinal, vamos chegando à famosa Praça Igor-Stravinsky, toda ela cor e movimento. Sentamos numa das várias esplanadas com vista para as inúmeras esculturas que encontram abrigo na fonte existente no centro do recinto. Visitei esta praça pela primeira vez em 1985, dois anos após a sua inauguração, e posso dizer que Paris estava encantada com a sua nova praça, de uma estética singular, fazendo a ligação entre o estilo gótico da igreja de St. Merri, de um lado, e o estilo modernista do Centro-Pompidou, do outro.

Praça Igor Stravinsky

O Centro é dedicado à arte moderna. Uma das mais célebres e antigas piadas sobre este lugar é que é bem melhor estar lá dentro do que cá fora. Porque lá dentro não se tem vista para o edifício rectangular, em metal e pouco estético que é o Centro Pompidou. Desta vez não entrei, embora em geral goste das exposições, de subir até ao Café Mezzanine e de ficar a apreciar as vistas. Preferi andar a deambular pela praça.

Acho que os meus óculos encarnados de gata vão bem com o coração e os lábios de Igor Stravinsky

Acabámos por ficar pela zona do Beaubourg e almoçar num dos cafés com vista para o Centro Pompidou e para o boliço das ruas.

E não resistimos a fazer uma caricatura. Como coincidências não existem, escolhemos um caricaturista pela qualidade do seu trabalho mas cedo nos apercebemos que falávamos todos a língua de Camões. Nós com sotaque europeu, ele com sotaque de além-mar, mulato carioca, amante de Paris.

Sabem aquela coisa de ir a Roma e não ver o Papa? Bom, nós temos o nosso ir a Paris e não comer um kebab no Quartier Latin (Bairro Latino). Nem a visita sabe tão bem se não nos entranharmos pelo bairro a dentro, comprarmos um kebab e virmos a comer pelas ruas, imersos naquele ambiente fantástico que só os bairros antigos de Paris têm.

Depois de nos refastelarmos com esta delícia da cozinha do médio oriente, apontámos ao metro, direcção St. Michel. É aí que fica Le-43-Cocktail-Bar, no topo do Hotel Holiday Inn Paris Notre-Dame. O bar oferece uma vista sobre a Torre Eiffel e o Sacré Coeur que é de tirar a respiração e, por isso, é um local muito concorrido. O nosso objectivo era contemplar Paris ao pôr do sol e tirar fotos e para não perder pitada chegámos duas horas antes do ocaso.

Os hóspedes têm prioridade no acesso ao terraço, portanto, se não estiver hospedado no hotel, convém estar lá por volta das 19h00, se quiser arranjar lugar sem ter que esperar 1 hora, arriscando perder o espectáculo do crepúsculo.

Domingo a primeira foto foi tirada às 5h30 da manhã, no Trocadero. Longe de sermos os únicos que por lá andavam. Entre casais e grupos de jovens saídos das discotecas e modelos com os seus fotógrafos, várias dezenas de pessoas já se passeavam pelo grande plateau em frente a essa grandiosa e elegante obra de engenharia que é a Torre Eiffel.

Três curiosidades acerca deste monumento: É o símbolo de Paris, é um dos monumentos mais visitados do mundo e foi criado para a Exposição Universal de 1889, o que quer dizer que comemora agora 0 seu 130º aniversário. Parabéns a Gustave Eiffel, o seu criador e aos franceses por esta obra de grande força estética.

O plano inicial era que a torre se mantivesse no local durante 20 anos, mas a atracção que desde o início exerceu sobre as pessoas garantiu-lhe um lugar permanente no cenário parisiense. Actualmente, é visitada por uma média de 7 milhões de pessoas por ano. Os seus 300 metros de altura impõem-se na paisagem. Ao atravessar o Sena, ao dobrar de uma esquina, ao subir a um ponto alto da cidade temos, frequentemente, um encontro com a Grande Dama de Ferro.

Subir à Torre exige paciência e também energia e fôlego, se decidir ir a pé, o que pode levar, em média, 40 minutos. Quer vá de elevador até ao 3º andar ou escolha galgar os 674 degraus que levam ao 2º piso da Torre, o único que está aberto ao público que sobe a pé, terá de preparar-se para uma relativa longa espera para comprar bilhete. Claro que se chegar lá antes da hora de abertura encontrará menos visitantes, filas mais pequenas e fará a visita sem se tropeçar nos inúmeros turistas que afluem para aqui durante todo o dia.

Da primeira vez que visitei a torre, já faz 30 anos, subi a pé. Palpita-me que muito motivada pelo preço mais reduzido do bilhete. Ou se calhar apenas porque era uma jovem cheia de energia e achei graça trepar todos aqueles degraus na companhia de uma das minhas melhores amigas.

Não importa como chega lá acima, será sempre recompensado com uma vista de 360º sobre Paris. É frequente sermos recebidos por um vento forte no topo da torre, por isso agasalhe-se bem porque o frio pode ser desagradável. Uma vez lá em cima poderá passear os seus olhos por Paris. Do 2º andar tem um dos maiores campos de visão sobre a cidade, o qual se estende até 70km. O Sena será a seus pés, atravessado pela Ponte Bir-Hakeim, assim como o Champs de Mars e os jardins do Trocadero, com o Palais de Chaillot ao fundo. O Sacré Coeur também é visível.

A Torre Eiffel é sempre bela, mas tenho que confessar que a acho particularmente sedutora à noite, iluminada, quando me faz lembrar uma obra de filigrana portuguesa.

A próxima paragem foi o Museu do Louvre. Se a visita está nos seus planos talvez lhe sejam úteis estas 7 dicas para uma visita bem sucedida ao museu.

Museu do Louvre e a Grande Pirâmide

Quando da minha primeira ida ao museu, disseram-me que reservasse três dias para a visita, tal é a dimensão do edifício e das colecções expostas. Na altura achei um exagero, hoje confirmo que foi um conselho realista. Que eu nunca segui. Nem tudo me interessa no museu e faço apenas os percursos que levam às obras de que gosto. Sim, é aqui que mora a Mona Lisa. Se ainda não sabe, fique a saber que se trata de um quadro de pequenas dimensões, onde é o olhar da dama que se impõe na grande sala repleta de visitantes. Não desmerecendo a obra de Da Vinci, eu prefiro A Coroação de Napoleão, de Jacques-Louis David e as Noces de Cana, de Paolo Veronese, bem como as obras de Johannes Vermeer.

De sombria fortaleza edificada no século XII o Louvre passou a maior museu do mundo, em finais do século XVIII. Entretanto, foi residência do Rei Francisco I, a partir do final do século XVI e tornou-se depois no sumptuoso palácio onde viveu Luís XIV, o Rei Sol.

Nos nossos dias, o Museu do Louvre acolhe cerca de 35 000 obras de arte que vão desde a pintura, até à escultura, passando pelos desenhos, as cerâmicas e diversos objectos arqueológicos, oriundos dos quatro cantos do mundo.

Se decidir lá passar o dia saiba que pode almoçar num dos restaurantes existentes dentro do museu ou tomar um café ou uma refeição ligeira no Café Mollien.

Do Louvre apontámos a Montmartre e ao Sacré Coeur, desta vez de metro.

Montmartre, o bairro dos artistas

No topo da longa escadaria de 197 degraus acolhem-nos as típicas ruelas que levam à Place du Tertre, localizada na parte mais alta de uma colina de 130 metros. Se o exercício físico não for o seu forte, vá de furnicular.

Montmartre foi um povoado independente até 1860, quando se tornou o distrito XVIII de Paris. No final do século XIX inúmeros cabarés e bordéis instalaram-se na zona e trouxeram-lhe má fama. Pouco a pouco, foi sendo ocupada por artistas que mudaram a face do bairro e o transformaram na meca de pintores de rua e de galerias de arte que existem hoje.

O bairro é tão famoso que Charles Aznavour, grande voz da canção francesa, fala dele na sua célebre canção La Bohème. Também eu já vi Montmartre menos comercial, mais genuíno, mais boémio. Mas continua a merecer uma visita.

“En haut d’un escalier
Je cherche l’atelier
Dont plus rien ne subsiste
Dans son nouveau décor
Montmartre semble triste
Et les lilas sont morts
La bohême, la bohême”

La Bohème, oiça a canção.

Continuando pelas ruas estreitas, coloridas e inclinadas do bairro chega-se ao Sacré Coeur (Sagrado Coração). A basílica, de estilo romano-bizantino, atrai actualmente cerca de 6 milhões de visitantes por ano. Na grande escadaria em frente à fachada é frequente encontrarem-se dezenas de turistas, e também locais que ali vão namorar, passear e ver as vistas. Se o exterior é soberbo o interior não lhe fica atrás.

É o ponto mais alto da cidade, oferecendo uma excelente panorâmica sobre Paris. Do alto da colina pode desfrutar-se de uma vista sobre o movimentado bairro Pigalle.

Paris é mesmo a cidade do amor!

Eternamente apaixonados por Paris, foi aqui que o António e eu dissemos À bientôt a esta cidade arrebatadora.

⛅ QUANDO VIAJAR PARA PARIS

Todas as alturas são boas para viajar para Paris. Na Primavera os jardins estão floridos e a cidade fica colorida e ainda mais bonita. No Verão, com sorte, temos dias de sol e de calor. Também pode chover e estar cinzento. No Outono, Paris ganha o encanto especial desta estação do ano, quando as folhas caídas das árvores cobrem tudo de dourado e cor de cobre. O frio começa já a sentir-se e os dias são mais curtos. No Inverno a neve pode dar o seu ar de graça e aí a cidade fica absolutamente encantadora.

🌞 METEOROLOGIA EM PARIS

O Tempo em Paris

😴 ONDE DORMIR

A oferta é enorme e de certeza que encontrará algo que satisfaça os seus gostos e necessidades.

Aconselho a ficar perto de uma estação de metro, o que facilita a deslocação na cidade. Alguns hotéis que conheço são no Bairro de St. Germain de Près. Veja se gosta.

Hotel Mayet – nada de luxos, mas o quarto e a casa de banho são espaçosos, o atendimento na recepção é simpático, fica numa rua calma junto a duas estações de metro. Visto que fica perto do grande boulevard de Montparnasse não faltam restaurantes a uma distância a pé e também supermercados.

Hotel Opera Drouot – super bem localizado, com metro a uma curta distância. O pequeno almoço é muito bom.

O Hotel Meliá na La Défense foi recomendado por um amigo, sobretudo pela sua vista panorâmica sobre Paris, a partir do Arco de La Défense.

Se tem gostos luxuosos pode sempre ficar no mais célebre hotel de Paris, o George V.

🍴 SENTADOS À MESA

Bom, em Paris encontra-se de tudo. Desde sandes até luxuosos restaurantes com 3 ✨ Michelin, passando pelos libaneses, indianos, marroquinos e outros. Talvez que algumas das sugestões da Timeout Paris lhe agradem.

🚍 TRANSPORTE

A Paris chega-se de muitas maneiras, dependendo do seu local de partida. Nós fomos de comboio. O TGV liga quase todas as cidades francesas e oferece conexões para a Bélgica, a Holanda, o Reino Unido, a Alemanha, a Itália, a Suiça e a Espanha, sendo super confortável. Pode comprar o bilhete online.

Também pode ir de avião – Paris tem 4 Aeroportos, Charles de Gaulle, Orly, Beauvais-Tillé e Vatry – ou de autocarro.

Dentro da cidade o mais aconselhável é deslocar-se de metro. Para quem não conhece há que dizer que o metro de Paris é gigantesco, com 213 km de linhas e mais de 300 estações. Como a cidade é muito grande e frequentemente as ligações não são directas, exigindo a mudança de linha, conte com bastante tempo de viagem entre um ponto e outro da sua visita. O metro de Paris dispõe de cartões para 1, 2, 3 ou 5 dias consecutivos de viagem. Facilitam a vida e é mais barato do que comprar bilhete para cada viagem. Os cartões estão disponíveis nos guichés de atendimento e nas inúmeras máquinas existentes nas estações. Lembre-se que quando comprar o seu cartão deve escrever nele o seu nome próprio, o apelido e a data de utilização do mesmo. Se não o fizer arrisca-se a uma multa caso seja controlado pelo pessoal do metro.

💡 DICAS

  • Comprar bilhetes para a Torre Eiffel

Se decidiu subir a Torre a pé e quiser evitar a fila para a compra de bilhetes pode adquirir um em ticket.toureiffel. Esta opção não é válida para quem utiliza o elevador.

  • Visitar museus

Se a sua visita a Paris tem como um dos principais objectivos visitar museus poderá ter vantagem em comprar o Paris Museum Pass.

  • Segurança

Convém estar atento aos seus pertences e, sobretudo no metro, à sua carteira.

  • Outros locais a visitar

Da segunda vez que fui a Paris fiquei por lá 3 semanas e todos os dias visitei um local diferente. Desde museus a igrejas e outros monumentos históricos não faltam na cidade locais que merecem uma visita. Veja aqui Tudo sobre Paris.

Aconselho vivamente a Ópera ou Palácio Garnier, com a sua fabulosa escadaria, a Sainte Chapelle, com os seus magníficos vitrais, o Museu de Orangerie que alberga os lindíssimos nenúfares de Monet e uma subida à Torre de Montparnasse, de onde se tem uma vista sobre Paris de cortar a respiração.

5 thoughts on “Paris em dois dias

  1. De seguida à 2a viagem por Bruxelas, “voltei” a Paris. Que maravilha. Já tinha visto e lido mas hoje parece que descobri outros recantos…. Será?
    Paris tem um lado emocional muito negativo mas não deixa de ser uma cidade linda. Com as palavras e fotografias da Karla, aviva-se a vontade de mudar de opinão.

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