Este Verão fomos a Monsaraz e ao Alqueva

Andava há muito com vontade de ver a Barragem do Alqueva cheínha de água. A família concordou em satisfazer-me o desejo e lá fomos para a Praia fluvial da Amieira passar um dia a banhos e deslumbrar-nos com a soberba paisagem alentejana. No regresso visitámos Reguengos de Monsaraz e o Castelo de Monsaraz. Foi um dia excelente. Aqui fica o relato.

Escolhemos a praia da Amieira porque é aquela que fica mais perto da nossa casa, mas há mais três, as de Monsaraz, de Mourão e de Cheles, sendo esta última em Espanha. A praia fica num recanto da barragem, rodeada de sobreiros (ou serão azinheiras?) e de pinheiros mansos, junto da aldeia da Amieira e foi inaugurada a 15 de Julho de 2019. Só coisas boas a dizer deste lugar. A água é morna, limpa e de fácil acesso, convidando ao mergulho. O areal é farinha pura, leve e dá gosto enterrar os pés, em lúdicas brincadeiras de praia. As estruturas de apoio são cinco estrelas. As crianças têm uma piscina natural, delimitada com bóias. Há zona de chapéus de sol e zona de toldos e estes são grátis. Tivemos a sorte de conseguir um mesmo em frente à passadeira que leva até à água, o que tornou muito fácil as idas e vindas. Esta passadeira é o acesso para pessoas com mobilidade reduzida. O Instituto de Socorros a Náufragos tem dois pontos de vigia, com quatro nadadores-salvadores. Vi-os atentos aos banhistas e aos chapéus que aqui e ali iam voando com o vento. Há vários sanitários e balneários, tudo em estado impecável. Se a fome apertar, ou a sede, ou apenas a gulodice, o bar de apoio oferece refeições quentes e frias, bebidas e gelados.

Confesso que só tenho três fotos da praia. Levei a máquina comigo mas resolvi dar-lhe folga e passar o dia a nadar e a preguiçar ao sol. Se procura uma praia com água bem mais quente do que a do mar e sem as multidões de veraneantes que tem a costa portuguesa, este é o sítio onde vir. Mas guarde segredo para podermos preservar o paraíso!

Igreja Matriz de Santo António
Reguengos de Monsaraz

Findo o dia de praia ala que lá vamos nós visitar Reguengos de Monsaraz. Já há uns anos que não passávamos por ali, talvez uns seis, e surpreendi-me com o movimento da cidade, estatuto que detém desde 9 de Dezembro de 2004. Parece que a barragem do Alqueva, o seu turismo e o incentivo à agricultura trouxeram uma importante dinâmica económica a esta região do interior do Alentejo. Que bom!

Reguengos de Monsaraz tem uma história antiga. No séc. XIII, quando D. Afonso III deu por finda a Reconquista cristã após ter definitivamente vencido os mouros, o rei ordenou que se repovoasse Monsaraz e que se partilhassem as terras, ou reguengos medievais, pelos seus moradores. Estes reguengos situavam-se junto à antiga medina muçulmana e, sobretudo, na zona que é hoje conhecida por Reguengos de Monsaraz.

No século XVI, sob a égide de D. Pedro II, as duas pequenas aldeias – a de Cima e a de Baixo – que formavam a localidade de Reguengos de Monsaraz assistiram a um significativo desenvolvimento económico, sobretudo o núcleo existente em torno da Ermida de S. António.

No século XIX, Reguengos de Monsaraz conheceu um grande desenvolvimento agrícola, a par da tecelagem, vitivinicultura e olivicultura, acompanhado de um significativo aumento da população e da malha urbana. Desses tempos nos falam os bonitos e grandes edifícios da cidade.

Como por todo o Alentejo, também aqui os pormenores das janelas e das fachadas atraem o nosso olhar.

Damos uma volta pelo centro da cidade, sentimos-lhe o pulsar e, derrotados pelo calor e pelo dia de praia, procuramos uma esplanada na praça central para tomar umas águas e uma limonada antes de seguirmos para Monsaraz. Pelo caminho até ao castelo passámos por São Pedro do Corval, conhecida pela sua tradição ceramista. Nas suas ruas seculares muitas são as olarias onde se pode apreciar as várias obras saídas das mãos dos ceramistas da terra que dão vida ao barro. Das casas da vila diz-se que são únicas no mundo, por serem pequenas mas com enormes chaminés. Demore-se um pouco por aqui, São Pedro do Corval vale bem uma visita.

Se tiver tempo e gostar da actividade vinícola, de história e de bem comer reserve uma visita à Herdade do Esporão. Se o tempo escassear vá directamente para Monsaraz.

Encantamento, é o que sinto ao passar a porta de entrada de Monsaraz. Esta maravilha medieval, conservada ao longo dos séculos, está tranquilamente sentada no topo de uma colina, de onde o nosso olhar abraça a planície alentejana e a majestosa barragem do Alqueva. É vila é alva, luminosa e a cada recanto nos deixa espreitar os campos em redor ou a água que brilha lá em baixo.

Monsaraz, considerada uma das mais antigas vilas portuguesas, tem uma história que vem de longe, havendo indícios de que já era povoada na pré~história, sendo na altura um castro fortificado.

Foi conquistada aos Mouros em 1167 por Geraldo Sem-pavor durante a Reconquista cristã. Dois anos mais tarde, com a derrota em Badajoz do primeiro rei português, D. Afonso Henriques, caiu novamente no poder dos árabes. Em 1232, foi entregue aos templários por D. Sancho II para sua defesa e povoamento e desde então é património de Portugal.

Torre de Menagem

O casario, caiado de branco e pintalgado de flores cor de rosa, sobressai da calçada de xisto num contraste harmonioso. Tudo se torna ainda mais mágico ao final do dia, quando as paredes ficam douradas e as pedras do caminho reluzem docemente ao pôr do sol. Espero a todo o momento cruzar-me com um príncipe encantado ou uma princesa de tiara. Mas nenhuma porta se abre e suspeito que aqui já só pernoitam os turistas que visitam o castelo.

Há que subir, subir, que os torreões do castelo são mais à frente e é deles que se pode abarcar a imensidão da planície e o manto de água que se espraiam lá em baixo.

Muralha do Castelo de Monsaraz

Dada a posição geográfica estratégica de Monsaraz junto ao rio Guadiana e à fronteira com Espanha, na segunda metade do século XIII D. Afonso III ordenou a construção do núcleo primitivo do castelo, incluindo a torre de menagem.

O que hoje se pode ver do Castelo é a muralha e as suas torres. Já em 1830 a Praça de Armas do castelo se encontrava semi-destruída e em finais do século XIX, com a passagem da sede de concelho de Monsaraz para Reguengos de Monsaraz, a fortificação foi deixada completamente ao abandono e ruíram partes da estrutura.

O que resta é belo e majestoso, uma fortaleza que é uma varanda debruçada sobre o esplêndido lençol de água da barragem e da grandiosa planície alentejana. Assistir ao pôr do sol deste terraço repleto de história é um memorável encontro com o que a natureza de melhor tem para oferecer.

O sol desaparece no horizonte e chega assim ao fim esta viagem no tempo pelas velhas pedras de Monsaraz. Voltarei um dia, com certeza!

🌞 METEOROLOGIA EM MONSARAZ

O tempo em reguengos-de-monsaraz

😴 ONDE DORMIR

Não dormimos em Monsaraz o que, aliás, deve ser uma experiência fantástica, com o céu estrelado e o silêncio por companheiros. Daquilo que vi, opções não faltam, tanto dentro da muralha – passei pela Casa da Tia Anica – como nas imediações do castelo. Veja aqui uma lista de alojamentos

A 100 metros da praia fluvial da Amieira pode alugar uma casa na Aldeia do Lago. É acordar, tomar o pequeno almoço e ir pôr o pezinho na água.

🍴 SENTADOS À MESA

Vai-se subindo a colina e encontram-se várias indicações para os diversos restaurantes existentes em Monsaraz. Talvez consiga encontrar algum que lhe agrade nesta lista do tripadvisor

Nós voltámos a Reguengos e fomos comer ao Restaurante O Gato. O que nos trouxe aqui foram uns Secretos de Porco preto comidos numa anterior visita e que deixaram uma excelente recordação. Os que se comeram desta vez confirmaram a qualidade deste poiso gastronómico.

Também pedimos a famosa Sopa de Cação, que aqui vem com pão e batata. De sabores fortes e muito bem confeccionada. O serviço é muito simpático, o que ajuda imenso a ficar com uma boa impressão deste restaurante. Recomendamos.

🚍 TRANSPORTE

Não consegui encontrar outra forma de chegar à Praia Fluvial da Amieira sem ser de carro. Os vários parques de estacionamento são relativamente grandes e gratuitos. O único senão é não ter quase nenhumas sombras.

Ao Castelo de Monsaraz também se chega de carro. Estacionar é fácil, visto que existem vários pequenos parques na colina de acesso à muralha. O mesmo acontece em Reguengos de Monsaraz.

ℹ️ INFORMAÇÃO

Sobre a Barragem do Alqueva

Não sou estudiosa da barragem do Alqueva, embora tenha participado em algumas reuniões técnicas onde se falava do sistema global de rega ligado à mesma. Assim, fui buscar um texto já publicado e que nos diz que “a Barragem de Alqueva, com uma albufeira com 250 km² e mais de 1100 kms de margens é o maior lago artificial da Europa. Abrange 5 concelhos do Alentejo: Portel, Moura, Reguengos de Monsaraz, Mourão e Alandroal, e ainda os municípios raianos de Olivença, Cheles, Alconchel e Villanueva del Fresno.

As obras arrancaram em 1998 e ficaram concluídas em Janeiro de 2002. No dia 8 de Fevereiro do mesmo ano fecharam-se as comportas e iniciou-se o enchimento da albufeira do Alqueva.

www.roteirodoalqueva.com/barragem-do-alqueva

Sobre a história de Monsaraz

Vila de Monsaraz Património cultural

Sobre o céu do Alqueva

Se tem paixão pelo mundo maravilhoso das estrelas saiba que esta região é o lugar ideal para observar esses pontinhos brilhantes pendurados no firmamento. O Alqueva é considerado por muitos um dos melhores locais de observação astronómica da Europa e um deleite para os fotógrafos da Via Láctea. Aqui fica o contacto do Observatório do Dark Sky Alqueva

Herdade do Esporão

Se aprecia vinhos e quer aprender mais sobre este néctar, faça uma Prova de Vinhos na Herdade do Esporão. Que pode ser seguida de uma visita à Herdade e de um almoço com vista para a barragem.

4 thoughts on “Este Verão fomos a Monsaraz e ao Alqueva

  1. Voltei a “viajar” pelo Alqueva, Reguengos e Monsaraz e voltei a gostar e a pensar que numa próxima ida ao país, não posso deixar de ir rever o que já conheço e descobrir o que é novo.

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