ROTEIRO ÍNDIA : Da Porta da Índia até ao Ganges

Chegámos à Índia uma semana antes do início do Festival Diwali ou Festival da Luz. Nesta altura, os hindus celebram o triunfo da luz sobre a escuridão, do bem sobre o mal. As famílias decoram as casas, incluindo as portas de entrada, de margaridas, luzes e lanternas de papel. Na última noite, as cidades enchem-se de manifestações nas ruas, de milhares de velas, muitos foguetes e muitas preces por um ano cheio de saúde e um próspero recomeço, um novo e belo ciclo de vida.

A melhor maneira de participar no espírito do Diwali é alojar-se numa casa de hóspedes e participar na comemoração da família de acolhimento. Se optar por outro tipo de alojamento venha para a rua respirar o ar morno da noite abençoado pelos deuses e deixe-se contagiar pela alegria das gentes. Acenda uma vela e formule um desejo. Foi o que nós fizemos.

Dia 1 – À descoberta de Deli, a Velha e a Nova.

Tudo por aqui é grande. O tamanho dos monumentos, o número de pessoas nas ruas, a quantidade de carros, de tuk tuk e de motas, a poluição sonora e visual. Aquilo que ao olho distraído pode parecer uma cidade imersa no nevoeiro não é mais do que a urbe envolta numa gigantesca nuvem de poluição.

Andar por aqui mexe com todos os sentidos. As cores e os cheiros são fabulosos. Nenhuma fotografia poderá falar da diversidade que impera em Deli, de como tudo isto fervilha de vida.

Entremos na Índia pela Porta de Deli, um Memorial de Guerra, onde estão inscritos os nomes de 13 300 soldados indianos e oficiais britânicos mortos durante a 2ª Guerra Mundial e a 3ª Guerra Anglo-Afegã. O monumento é de livre acesso. Fomos lá num Domingo e o local estava assombrosamente movimentado. As famílias indianas têm muito apreço pelos seus monumentos e visitam-nos durante os dias feriados. De tudo se vê à volta da grande porta: grupos que posam para a fotografia, soldados vestidos a rigor, vendedoras de pulseiras, de balões, de flores.

O Mausoléu de Humayun é outro dos monumentos que tem que visitar em Deli. Falar deste lugar implica falar do Império Mogol, fundado em 1526, que entrou em declínio a partir do início do século XVIII e que foi definitivamente extinto pelo poder britânico em 1857. Reza a história que no seu apogeu o império foi possivelmente o Estado mais rico, sofisticado e poderoso do planeta. Contava com uma população entre 110 e 130 milhões de habitantes, distribuída pelo que são hoje os territórios da Índia, Paquistão, Afeganistão e Bangladesh.

O Império Mogol dominou quase todo o norte da Índia do século XVI ao XVIII. Os governantes mogóis praticavam a religião muçulmana, mas a maior parte da população por eles governada praticava o hinduísmo. A convivência religiosa era pacífica e os imperadores mogóis sonhavam com uma Índia unida pela fé.

O mausoléu foi mandado construir no séc. XVI pela viúva do imperador Humayun, em honra do seu marido. É o mais antigo mausoléu-jardim da dinastia Mogol, um jardim com quatro quadrantes, representando cada um deles os quatro rios do paraíso corânico. Aqui entra-se num outro mundo, de sublimes linhas arquitectónicas, onde as pedras carregam história e no ar se sente a fé imensa destes povos ancestrais.

Cá estou eu nas antigas pedras do Mausoléu de Humayun para aqui trazidas no século XVI.

Daqui seguimos para o Mercado de Especiarias que é labiríntico, colorido, com cheiro a cardamono, a açafrão, a anis. Não se vêm por aqui muitos turistas, os quais parecem preferir os monumentos que vêm nos guias turísticos. Os milhares de pessoas com quem nos cruzámos eram indianos que se deslocam ao mercado durante o Diwali para comprar prendas para a família e os amigos. Caixas de madeira ricamente decoradas, guardando preciosamente frutos secos e doces, são uma oferenda típica de Diwali.

O mercado tem cerca de três quilómetros, uma parte dos quais fizemos de tuk tuk e a outra parte a pé, com o guia hindu que nos acompanhava nesse dia. A Índia é terra de especiarias: comprámos cardamono preto e bebemos chá de massala no alto de um dos edifícios onde o nosso guia nos levou. Daí observámos a urbe, lá em baixo, sempre em movimento, sempre em efervescência. É nestes momentos que nos conseguimos aproximar um pouco daquilo que é a vida quotidiana na Índia, do esforço diário pela sobrevivência, das infindáveis horas de labuta, de sol a sol.

Sobre os tuk tuk, deixem-me dizer que é um meio super popular, confortável e barato de visitar as cidades indianas. Claro que é obrigatório regatear o preço antes de entrar no veículo e só pagar no final. Farei em breve uma publicação só dedicada aos tuk tuk.

Dia 2 – A minha fé nos Deuses aumenta a cada vez que ando de carro na Índia. Hoje fortaleceu-se, após 3 horas pelo caótico tráfico e insane maneira de conduzir indiana. Mas cheguei sã e salva a Kerosli.

Quando o sol desce no horizonte acendem-se as luzes do Forte

Vale a pena uma paragem no percurso Deli/Jaipur para ficar ao Hotel Hill Fort. É uma estadia de sonho. Senti-me uma princesa.

Existem 1001 razões para aqui ficar. O Pôr do Sol, a história do local, a comida, as massagens, o chá servido ao final da tarde no terraço com vista para a planície, a disponibilidade do pessoal.

Hotel Hill Fort

Dia 3 – Chegada a Jaipur, capital do Rajasthan.

São 21:42 e a cidade continua fervilhar. Dos hindus vem-nos o estalar dos foguetes que já anunciam o Festival Diwali que se aproxima. Jaipur é uma encruzilhada cultural e religiosa.

Numa volta pelo mercado local registei esta imagem da Cidade Rosa, com os seus gigantescos mercados a céu aberto, onde se pode encontrar quase tudo.

Os vendedores de flores alegram as ruas. Se tivesse que escolher um símbolo para a Índia seria certamente uma margarida (a Índia aliás fez o mesmo, fazendo a margarida parte da bandeira da União Indiana).

Da comunidade muçulmana vem-nos o chamamento para a oração a várias horas do dia, uma melodia que nos embala os sentidos.

Passear em Jaipur, estar em Jaipur, é uma experiência inebriante que me sacode e me faz sentir viva, imensamente viva. Há uma energia contagiante que se desprende deste vaivém constante de gente, animais, motas, carros e riquexós, à mistura com perfumes, cores e o ar morno de inverno.

Dia 4 – Forte Amer – Jaipur

Sobe-se a colina montada num elefante. O forte é absolutamente fantástico. Foi mandado construir pelo Marajá Man Shing no início do séc. XVI e casa os estilos árabe e hindu.

Em alternativa ao elefante pode-se subir a pé

Tudo impressiona. Ficaram-me na memória os apartamentos das 12 esposas do Marajá, cujos estavam ligados aos aposentos do dito por uma longa e íngreme passarela. Era precisa muita energia para tamanho harém e vai daí o marajá só passava algumas temporadas no Forte. No resto do tempo procurava descanso em outras paragens.

Os aposentos privados onde eram recebidos os ministros são completamente revestidos a espelhos que reflectiam a luz das inúmeras velas que o Marajá mandava acender para iluminar e aquecer o local.

Se estão a planear visitar Jaipur não percam este fabuloso Forte.

Dia 5 – Palácio da Cidade, o qual tem sido a morada dos marajás de Jaipur desde o início do séc. XVIII. Quando a seca assolou a região onde se situa o Forte Amer, o marajá Sawai Jai Singh II mudou a corte para aqui. O complexo é gigante e alberga vários edifícios, pátios, galerias, templos e um Museu.

Diwan-i-Khas, lugar de audiências privadas dos marajás.
Ao fundo, dois jarros gigantes mandados construir pelo marajá Sawâî Jai Singh II para transportar água sagrada do Ganges na sua viagem a Inglaterra, visto que seria um pecado beber água inglesa.

Dia 6 – Foi um dia muito fora dos circuitos turísticos. Fomos até ao Templo dos Macacos. Aconselhável só a almas resistentes porque a pobreza das gentes que vivem na encosta onde se situa o templo é chocante. Se o seu olhar social lhe pede uma visão sobre a vida da casta mais baixa da Índia este é o lugar aonde ir.

Daqui seguimos para a parte nova de Jaipur, onde vive a classe média alta e alta da cidade, ou as castas mais altas para ser mais precisa. Almoçámos no Stepout Cafe, local onde se reúne a juventude abastada da cidade. Constrastes a não perder.

Acabamos o dia numa visita nocturna ao Hawa Mahal, ou Wind Palace ou Palácio do Vento.

Descobri uns cafés com terraço em frente a este ícone da cidade. Por lá ficámos cerca de duas horas, ao final da tarde, de olhos esbugalhados, a apreciar esta maravilha que brilha no escuro da doce noite de outono indiano.

Vir a Jaipur e não ver esta fascinante fachada é um crime de lesa-majestade. Foi construída em 1799 como uma extensão do Palácio da Cidade e permitia que das suas 953 janelas as esposas do Marajá vissem a rua sem serem vistas.

O nome virá do facto de esta fachada, leram bem, fachada, ser constituída por paredes que não têm mais do que 20 cm de espessura e de o todo não ter mais que a profundidade de uma sala, deixando ouvir e sentir a ventania.

Ou seja, quase nenhuma estrutura existe por detrás da frontaria do palácio. Aquilo pouco mais é que um cenário de cinema, de Hollywood ou Bollywood, suportado por um contraforte. Mas um cenário idílico!

Dia 7 – Longa viagem de Jaipur até Agra.

Pelo caminho visitámos Chand Baori e tivemos direito a um furo no pneu. Problema que o nosso motorista resolveu com relativa facilidade, parando à beira da estrada, usando a rede local e comprando ali mesmo os materiais necessários para substituir a câmara de ar. Custo total: 40 rupias, aproximadamente 1€.

Chand Baori é basicamente um poço gigante, mas belo e labiríntico, fazendo lembrar um desenho de M.C. Escher. Tem 3 500 degraus, 30 metros de profundidade e foi construído há 1 000 anos para armazenar água da estação chuvosa para ser utilizada nos meses de intenso calor e secura.

Chand Baori, uma construção medieval com mais de mil anos

A 40 quilómetros de Agra situa-se uma fabulosa mesquita adjacente ao enorme palácio de Fatehpur Sikri que também visitámos. Um conjunto que demorou apenas 11 anos a construir. Um espaço verdadeiramente mágico, que tivemos a sorte de visitar ao Pôr do Sol, ouvindo o chamamento do Muezzin e presenciando a última oração do dia dos crentes muçulmanos. Algo muito pouco acessível aos não seguidores do Corão.

Dia 8 – Taj Mahal

Este é o tão esperado dia de visita ao Monumento ao Amor. Adjectivos para descrever esta 7ª Maravilha do Mundo? Espantoso. Majestoso. Fabuloso. Grandioso. Etéreo e Sublime.

Deixe a preguiça de lado, levante-se cedo e vá assistir ao nascer do sol no Taj Mahal. A recompensa será enorme.

O Forte mandado construir pelo Rei Akbar o Grande, o terceiro imperador mogol da Índia.

Akbar iniciou uma série de debates religiosos, onde eruditos muçulmanos podiam discutir questões religiosas com hindus e cristãos. Sendo muçulmano aboliu o imposto que existia para não muçulmanos, o que lhe granjeou muito apoio entre os hindus.

Fundou um culto religioso, o Din-i-Ilahi (Divina Fé), que conjugava elementos daquelas três religiões, mas que rapidamente se dissolveu após a sua morte.

Akbar tinha três esposas, uma muçulmana, uma hindu e uma cristã, expressão da sua abertura a diferentes religiões, igualmente visível na arquitectura do Forte. Da união com esposa hindu nasceu um filho.

Dias 9 – A noite e uma parte do dia foram passados entre as Estações de Comboio de Agra e Varanasi.

Para quem gosta de sentir o pulsar de uma sociedade esta é uma experiência a ter. Neste meio de transporte criado pelos ingleses durante a ocupação da Índia entre 1858 e 1947 poderá observar as diferentes condições em que viajam as castas menos abastadas e as mais abastadas, como se vive em família, como é a (des)organização indiana, observar as aldeias e os campos que deslizam ao longo de centenas, senão milhares de quilómetros. Também aqui contará pelas dedos das mãos o número de turistas estrangeiros. Viajar nos Caminhos de Ferro da Índia é para gente que quer ter uma experiência sociológica mais do que fazer uma visita turística. Foi a segunda vez que viajámos de comboio na Índia. É seguro e (muito) barato.

Foi uma longa viagem. As 14 horas previstas para o percurso transformaram-se em 20. Será que voltaremos a usar os serviços da India Railway? Só os Deuses o saberão 😉

Dia 10 – Varanasi

Como planeado, chegámos a Varanasi no dia mais importante do Festival Diwali. Fomos abençoados com a cerimónia Aarti, um ritual de amor e devoção, durante a qual cinco padres hindus – representando os cinco elementos do corpo humano – o Fogo, o Ar, a Terra, a Água e o Espírito – oram para que a paz e as boas energias se espalhem por todos os seres vivos.

É quase impossível resistir ao encanto espiritual desta cidade.

A cerimónia Aarti acontece todos os dias do ano ao pôr do Sol na Dashashwamedh Ghat

Na companhia do guia, e a nosso pedido, visitámos algumas fábricas de seda. A cidade tem mais de dois mil anos de tradição na produção de tecidos e as peças de seda ganharam especial sofisticação sob o patrocínio do Império Mogol, no século XVI.

A produção está maioritariamente a cargo dos homens, que tecem manualmente os bordados ou os estampam com uma prensa manual que exige trabalho de equipa. O resultado é lindíssimo e podem fazer-se bons negócios de compra se se tiver jeito para regatear os preços.

Dia 11 – às 6 da manhã, dentro de uma barcaça, vamos saudar o nascer de mais um dia. Chegámos ao Ganges. Terminamos este relato com uma foto do nascer do Sol em Varanasi, também chamada Kashi, que em hindí significa Luz. É a mais sagrada cidade do Hinduísmo e uma das mais antigas do mundo, tendo sido fundada há mais de 3 000 anos.

Varanasi ao nascer do ☀️

Todas as manhãs, ao nascer do Sol, as margens do rio Ganges acolhem centenas de pessoas para a primeira oração do dia e o banho naquelas que são águas sagradas para os Hindus. Esta foto é uma singela homenagem a Varanasi! Com ela dizemos: Até à próxima, Incrível Índia!

⛅ QUANDO VIAJAR PARA A ÍNDIA

Os melhores meses para visitar este país vão de Outubro a Fevereiro quando o inverno nos oferece temperaturas amenas entre os 22 e os 28 graus e o tempo é seco.


😴 ONDE DORMIR

Nova Deli: Hotel La Sagrita la-sagrita.delhitophotel.com/en/

Kesroli: Hotel Hill Fort Kesroli neemranahotels.com/hill-fort-kesroli-alwar-rajasthan/

Jaipur: Hotel Mandawa Haveli mandawahaveli.com/

Agra: Hotel Trident trident-agra.agrahotelsweb.com/pt/

Varanasi: Hotel The Gateway Ganges the-gatewayganges.hotelsinuttarpradesh.com/pt/


🍴 SENTADA À MESA

O nosso top 5 da culinária indiana são:

Biryani, um prato típico de arroz com frango. Também adoro a versão vegetariana. É arroz frito, temperado com muitas especiarias e cozinhado no molho de cozer o frango. Palak Paneer, um prato com queijo grelhado e submerso num delicioso caldo de espinafres com alho, cebola e especiarias, o ingrediente rei da cozinha indiana. Chapati, o pão estaladiço, espalmado e muito leve, feito com farinha completa, e com que gostamos de acompanhar quase todas as refeições. Em alternativa, existe o Naan, feito com farinha refinada e usado em ocasiões de festa e pelas famílias mais ricas. Frango com caril, ou, se preferir, com borrego, é um prato picante onde o galináceo é cozinhado com iogurte, tomate, cebola, alho e gengibre. Gulab jamun, um doce redondinho, feito com farinha e queijo khoya (parecido com o ricota). As bolinhas são passadas em manteiga clarificada e mergulhadas em calda de açúcar com especiarias, normalmente cardamono, açafrão e cravinho.

Para ajudar à digestão, coma uma mão cheia de Mukhwas, as refrescantes sementes de funcho, menta e tantas outros sabores. Retire-as do recipiente com a mão direita, coloque-as na mão esquerda e daí vá comendo com a mão direita. É só um preceito, mas é assim que se comem na Índia.


🚍 TRANSPORTES

Utilizámos quatro meios de transporte para visitar a Índia: carro com motorista, riquexó (tuk tuk), comboio e o avião.

Carro: Viajar de carro tem 1 desvantagem e 2 vantagens. O trânsito na Índia é caótico, a condução é fora de todas as regras europeias que conhecemos e isso pode assustar um iniciado nestas andanças. Mas não desista sem experimentar. Como se anda a velocidades bastante lentas não é comum ver-se um acidente na estrada, aliás, nunca vimos nenhum. O lado positivo de andar de carro é que é bastante confortável e permite-lhe ver a Índia que vive ao longo das estradas. Se optar por este meio de transporte aconselhamos vivamente a contratar o serviço com motorista.

Riquexó: Sobre este meio de transporte, deixem-me dizer que é um meio super popular, confortável e barato de visitar as cidades indianas. Claro que é obrigatório regatear o preço antes de entrar no veículo e só pagar no final. Pode usar o riquexó para um curto trajecto ou combinar com o motorista um meio dia de serviço, fixando o preço e os lugares a visitar. Os preços variam muito, dependendo do trajecto e da duração. Proponha sempre pagar menos 40% do valor que o motorista lhe pede.

Comboio: Os Caminhos de Ferro da Índia atravessam todo o país e, por isso, tornam-se uma boa alternativa de transporte. Quem nunca experimentou pode sentir-se intimidado com o sistema de reserva de bilhetes, com as multidões nos cais de embarque, com a falta de conforto ocidental das carruagens. Aconselho viagens de noite, em carruagens com cama, o que lhe permite dormir e poupar no preço do quarto de hotel. De Agra a Varanasi um bilhete de avião custa cerca de 100 euros e nós pagámos 11.50 euros por pessoa pela viagem de comboio. Além disso, é a forma mais sustentável para o ambiente de fazer esta viagem. Leve vestida roupa muito confortável com a qual possa dormir, comida e bebida. Ao longo das inúmeras paragens de comboio muitos serão os vendedores de comida e bebida, sobretudo, chá, que entrarão pela carruagem, mas aos mais delicados de estômago aconselho a não comparem senão água engarrafada e snacks embalados. Nós bebemos chá e comemos grão guisado, sem nos ressentirmos de quaisquer desarranjos intestinais mas nem toda a gente tem a mesma resistência.

O sistema de reserva de bilhetes não é fácil. Pode comprar online, usando este endereço https://www.seat61.com/India.htm ou pedir à agência de viagens para o fazer por si. No local, use os serviços de um bagageiro para lhe carregar as bagagens e encontrar o seu lugar.

Avião: Desta vez usamos o avião apenas à chegada e à saída, voando com companhias internacionais. Podemos recomendar a Turkish Airlines e a Qatar Airways. Internamente pode voar com a Air India. Não há muito a dizer sobre o serviço. As infraestruturas são de qualidade média, sobretudo nas cidades mais pequenas. Terá de ter muita paciência para os inúmeros controles de bagagens e pessoas, assim como para responder às mais diversas perguntas que lhe vão fazer, desde porque é que vai viajar até à sua profissão. Existem filas separadas para homens e mulheres. Sendo português(a) não se admire se ouvir falar de Vasco da Gama, Cristiano Ronaldo ou Nani.


👜 ARTESANATO Esculturas em madeira, pedra ou metal, bijutaria, roupa, almofadas, carpetes, malas, artigos em couro, lenços de seda.

🌞 METEOROLOGIA NA ÍNDIA

https://www.accuweather.com/pt/in/india-weather

FORMALIDADES

Visto turístico é obrigatório. Pode ser pedido na Embaixada da Índia da sua área ou país de residência ou online https://indianvisaonline.gov.in/evisa/tvoa.html, onde obterá um visto válido por 365 dias. Note que a sua estadia não deverá exceder 90 dias consecutivos. Faça uma fotocópia do seu visto e leve-o consigo. A versão electrónica nem sempre é aceite nos aeroportos.

Trocar dinheiro é fácil. Frequentemente a taxa de câmbio praticado nos hotéis e nas casas de câmbio é idêntico. Compare e troque onde lhe parecer mais prático.

💡 DICAS

  • Mentalidade: Se vai à Índia pela primeira vez, o maior conselho que lhe posso dar é que vá de coração aberto. A cultura indiana é secular e nenhum de nós conseguirá mudar esta cultura ancestral numa semana de viagem. As castas, a submissão das mulheres, a crença nos deuses para resolver todos os acontecimentos da vida, junto com a ausência de um sistema de recolha de lixo, o trânsito caótico, o barulho, tudo isto é Índia. Aceite e desfrute as suas férias.
  • Medicamentos: Claro que há hospitais e farmácias na Índia. Mas aconselho a levarem todos os vossos medicamentos na bagagem. Sem esquecer aqueles para as dores de estômago e de barriga. Por precaução levo sempre desinfectante, pensos rápidos e pulsos e tornozelos elásticos para o caso de um entorse.
  • Alimentação: As dicas habituais para esta região do mundo: só beber água ou sumos em garrafa, alimentos crus são interditos. Fruta só com casca. Comer com as mãos é perfeitamente comum na Índia, como em toda a Ásia. É descontraído e eu adoro. Se gostar, sinta-se à vontade para o fazer. Mas náo lamba os dedos no final, que é visto como um sinal de desrespeito.
  • Compras: A regra de ouro quando se vai às compras na Índia é que se deve regatear os preços. Diria que em média se deve negociar uma redução de 40% do preço inicial pedido pelos vendedores. Excepção feita para a comida, pela qual nunca regateamos preços.

COMPORTAMENTOS

  • Um indiano não olha uma mulher casada nos olhos por respeito ao marido. Se for mulher terá de conviver com esta realidade. Um guia turístico, um vendedor, um recepcionista de hotel, um motorista raramente olhará para si e responderá sempre a falar para o elemento masculino do casal. Rapidamente perceberá que em qualquer fila os homens terão sempre prioridade. Respire fundo e siga em frente.
  • Como já disse em outras ocasiões, pessoalmente prefiro vestir-me como as mulheres indianas. Por respeito à cultura do país e para evitar olhares masculinos mais maliciosos. Mas também porque as roupas são lindas e super confortáveis. Os punjabis e as calças largas são as minhas roupas preferidas. As lojas de roupa existem às centenas e encontrará facilmente algo que lhe agrade, a preços muito módicos. Os homens vestem sempre calças e camisa ou t-shirt. Os lenços ao pescoço das mulheres são sinal de respeito e, além disso, compõem a indumentária, pelo que levo sempre uma pequena colecção na mala. Cobrir a cabeça com um lenço não é obrigatório. Muitas mulheres indianas andam de cabeça descoberta.
  • Nunca varra o chão depois do pôr do sol. Crê-se que varrer ao anoitecer fará com que a Deusa Lakshmi, protectora do lar, abandone a casa, significando isso que a dona da casa poderá perder os seus bens e jamais os encontrará na escuridão.
  • A saudação na Índia faz-se com as mãos unidas junto ao peito. O aperto de mão não é prática na Índia, muito menos o beijo no rosto.
  • A palavra “obrigada” é muito raramente usada, apenas se agradecem grandes favores ou grandes gestos de bondade.
  • Sentar-se no chão é um hábito por toda a Índia. Não hesite em fazê-lo. É uma forma simpática de ver as coisas à mesma altura que os locais e de não se destacar na multidão.

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