ROTEIRO NEPAL, dos templos budistas até aos Himalaias!

Centro histórico de Katmandu

É com a viagem ao Nepal que inicio o blogue sobre as minhas viagens. Que melhor começo que o relato da concretização de um sonho antigo de 20 anos? Este é um roteiro de 1 semana. Saímos de Bruxelas em final de Outubro e voltámos no princípio de Novembro, carregadinhos de incríveis experiências de vida.

Aterrámos em Katmandu à 1h da manhã, fizemos a nossa iniciação à burocracia nepalesa e fomos ter com o nosso guia. O ar da noite estava morno, Pratik recebeu-nos com um sorriso e assim começou a nossa volta pelo Nepal.

Desengane-se quem pensa que o Nepal são só montanhas e infindáveis caminhadas sempre a subir. Há muito mais para ver, o que deixa felizes aqueles que, como eu, têm umas lombalgias que os impede de passar dias a fio a galgar a cordilheira dos Himalaias. Por onde andámos, então? Venha daí com a gente passear pelo Vale de Katmandu durante 6 dias.

Dia 1 – Por nossa conta e risco fomos a pé da casa de hóspedes até ao centro de Patan, uma das principais cidades do Nepal. Patan, ou Lilitpur, fica colada a Katmandu e muito próxima de Bakhtapur, formando as três cidades o conjunto urbano mais importante do Nepal, com uma extensão total inferior a 20 kms.

Em Abril e Maio de 2015 o país tremeu sob a violência de fortes sismos. Vários edifícios considerados património mundial pela UNESCO tanto na Praça Darbar em Katmandu, como na Praça Darbar em Patan ficaram quase ou totalmente destruídos. Actualmente as obras de recuperação e reconstrução trouxeram às duas cidades muito do seu antigo esplendor. Patan é onde essa recuperação é mais visível e o centro histórico se encontra quase totalmente recuperado.

Entrar na zona histórica de Patan requer a compra de um bilhete de entrada que custa cerca de 8 euros/1000 rupias nepalesas por pessoa. Visitaremos a cidade histórica no último dia da nossa viagem. Neste primeiro dia aproveitámos a tarde para deambular pelas ruas de Patan, sentir o pulsar da cidade, espreitar as inúmeras lojas de tecidos, apreciar a variedade de mercadorias que nos oferecem os vendedores de rua: fruta, legumes, bebidas, bijutaria mas também roupa e cremes. Aventurámo-nos pelas ruas não turísticas de Patan para nos misturarmos com a população local e ver o que não vem nos guias turísticos. É perfeitamente seguro e aproxima-nos mais da realidade do dia a dia dos nepaleses.

Centro histórico de Patan

Dia 2 – Jornada passada em Katmandu, capital do Nepal. Uma cidade abraçada pela Cordilheira dos Himalaias e pelo rio Bagmati. Divide-se o nosso olhar entre a exuberância dos edifícios históricos e a pujança da montanha.

A cidade abriga inúmeros templos e palácios. São mais de 50 construções antigas, que datam desde o século XII até os séculos XVII e XVIII.

A profusão de edifícios em madeira escura talhada como se fossem rendados minuciosamente feitos à mão deixa-nos absolutamente maravilhados. O Nepal é um país maioritariamente hindu e isso traduz-se numa abundância de símbolos fálicos nos templos e palácios. Estes símbolos representam a fertilidade e acompanham os nepaleses na sua vida quotidiana. Também não se admire se encontrar a suástica esculpida em pedra ou madeira, tanto nas casas privadas quanto nos edifícios históricos. É um antigo símbolo hindu de fortuna e boa sorte na vida.

Ir às compras em Katemandu

Impõe-se uma visita ao Palácio onde vive Kumari, ou a Deusa viva. Kumari significa “menina virgem” e os nepaleses acreditam que ela é a manifestação viva de Lord Durga. As meninas escolhidas têm de corresponder a 32 critérios de perfeição e deixarão de ser consideradas deusas logo que atinjam a puberdade. Existem actualmente 12 deusas no vale de Katmandu. Aparecem em público em raras ocasiões. Se tiver sorte na sua viagem poderá ver a Kurami Real a acenar desta janela. Nós não tivemos essa sorte.


A janela de cima é onde Kumari aparece ocasionalmente à população

Ao Pôr do Sol erga os olhos para as montanhas e deixe a energia revigorar-lhe corpo e alma.

Dia 3 – Visitámos o Templo de Pashupatinath, um complexo religioso e um dos santuários dedicados ao Deus Xiva, uma das divindades mais reverenciadas no hinduísmo. O templo está situado em ambas as margens do rio Bagmati, o qual é sagrado para os hindus, por ser um afluente do Ganges. Aqui se cremam os mortos, que são acompanhados pela família durante as horas que dura a cremação (a foto abaixo ilustra isso mesmo, sendo visível a pilha de lenha onde o morto é queimado, a pessoa contratada para cuidar do fogo e por trás, à sombra, a família do falecido). Estavam a decorrer as Festividades de Dashain, importantes tanto para Hindus como para Budistas.

Também visitámos a estupa (construção em forma de sino) de Boudhanath. Ficámos maravilhados com o nosso dia neste lugar sagrado para os Budistas e mágico para quem lá vai e respira aquela energia fabulosa. Meditei num dos templos, dei a volta à estupa duas vezes, deixei-me impregnar do incenso que os monges queimam ao pôr do sol e saí ainda mais em paz do que quando lá cheguei. Namastê.

Esta é a maior estupa budista do mundo

Dia 4 – Mais uma jornada cheia de experiências fantásticas. Começou a manhã com uma visita a Bhaktapur, a Cidade dos Devotos. Daqui trouxemos para vocês uma foto das 10 reencarnações de Vishnu, Deus hindu protector do universo.

O Templo Nyatapola, com os seus cinco telhados, é considerado um dos mais altos pagodes do Nepal. Se está em boa forma física, suba ao topo da escadaria de onde terá uma vista desafogada sobre a praça Durbar ou Praça Real.

Templo Nyatapola em Bhaktapur

O templo é guardado por seres mitológicos: guerreiros com força de dez homens no primeiro nível, elefantes com a força de 10 guerreiros no segundo, leões fortes como dez elefantes, e dragões fortes como dez leões nos seguintes.

Uma das melhores formas de se deixar embeber pelo místico e fervilhante ambiente da cidade é fazer como fazem os nepaleses. Sente-se no chão e aprecie. 

Fora dos Templos a vida real é dura, para muitos é uma luta diária pela sobrevivência. O Nepal é um dos países mais pobres do mundo e isso vê-se na escassez de produtos alimentares vendidos nas ruas, na ausência de supermercados, na precariedade das infraestruturas, no vestir das pessoas, nos seus rostos cansados.

No final do dia, rumámos a Nagarkote. Para quem, como eu, não pode embrenhar-se em longas caminhadas através dos Himalaias, este é o lugar ideal para estar de frente com estas belas e místicas montanhas. O Hotel The Fort Resort, com as suas varandas e terraços debruçados sobre as montanhas deixa-nos contemplar os Himalaias em todo o seu esplendor.

Dia 5 – Assim nasceu o Sol nos Himalaias

Sol nascente

e assim se pôs!

Sol poente

O resto do dia foi passado a descansar e a apreciar a beleza das montanhas. 

Dia 6 – Começou às 5h30 da matina com mais uma imersão total no nascer do Sol nos Himalaias. Seguiu-se Patan, aonde chegámos após uma inenarrável viagem por uma coisa que por aqui se chama estrada. Patan, também conhecida como Lalitpur, significa “A cidade da Beleza”. E logo às portas da cidade fomos abençoados com o Templo Dourado Budista.

Diz-se que o templo foi fundado no século XII. Existe na sua forma actual desde 1409. Sapatos e qualquer artigo em cabedal devem ser removidos antes de franquearmos a porta do templo. O guardião deste local sagrado é sempre um jovem padre com menos de 12 anos, que presta serviços durante 30 dias antes de ser substituído por outro jovem.

Descrever este templo é tarefa muito difícil, dada a quantidade e a riqueza dos pormenores. Na primeira porta de entrada somos recebidos por dois imponentes leões de pedra. Na segunda, que dá acesso ao pátio principal, esperam-nos dois elefantes dourados. A fachada é toda coberta por uma série de figuras budistas reluzentes. E há muitos mais detalhes de imensa beleza que tornam este templo uma verdadeiro deleite para os olhos.

Kwa Bahal – Templo Dourado Budista em Patan

O Nepal é o local de nascimento de Buda e os templos dedicados ao budismo estão presentes por todo o lado. Aqui fica uma imagem de Buda, a quem foram oferecidas margaridas.


Buda na Posição Bhumisparsha Mudra
Bhumisparsha significa “tocar a terra“. Este Mudra representa o momento em que Buda ficou iluminado por baixo da árvore Bodhi.

O Palácio Real é a outra grande atracção em Patan. A porta principal é guardada por dois enormes leões. Por aqui se acede directamente ao pátio interior. O que mais chama a atenção são as estátuas do deus Ganesh (deus da prosperidade) e do deus Vishnu. O palácio é enorme. Talvez as imagens consigam dizer mais que quaisquer palavras.

O palácio alberga o Museu de Patan, uma visita a não perder pelos apaixonados por história e cultura, aqui contadas pelas peças e estátuas expostas e pelas explicações detalhadas que as acompanham.

Assim termina esta viagem fantástica num país imerso na fé, com um ambiente que nos faz recuar no tempo e que nos acolhe com um sorriso que só os nepaleses sabem oferecer ao visitante.

⛅ QUANDO VIAJAR PARA O NEPAL

Os melhores meses para visitar este país vão de Outubro a Fevereiro quando o inverno nos oferece temperaturas amenas entre os 22 e os 28 graus e o tempo é seco.

😴 ONDE DORMIR

Patan summerhill-house

Esta Guest House oferece um ambiente familiar muito acolhedor, com serviço de refeições disponível mediante reserva e uma excelente localização, permitindo visitar Patan a pé. Os quartos são hiper espaçosos. O pequeno almoço é tomado no jardim, ouvindo os pássaros e contemplando as flores que pontilham todo o espaço. A proprietária e o pessoal estão sempre à disposição dos hóspedes para orientar nas visitas, dar conselhos de compras e acorrer em caso de qualquer problema de saúde que possa surgir.

Nagarkote fortretreat

O Hotel The Fort Resort, com as suas varandas e terraços debruçados sobre as montanhas deixam-nos contemplar os Himalaias em todo o seu esplendor. Majestoso este hotel de arquitectura tipicamente nepalesa situado a mais de 2 000 metros de altitude. Apetece ficar por ali a contemplar as montanhas e a deixar-se mimar pelo simpático pessoal do hotel.

🍴 SENTADOS À MESA

O nosso top 3 da culinária nepalesa:

Momo, delicados raviólis com um recheio de legumes, que podem ser fritos ou cozidos a vapor.

Dal baht, o prato tradicional do Nepal, composto por lentilhas (dal), arroz (bhat) e legumes com caril e comido com papadum, uma espécie de massa quebrada, muito estaladiça. O prato é servido numa enorme travessa metálica.

Borrego com caril à Gorkhali, um prato real que se consome em tempos festivos, cozinhado com hortelã e coentros frescos, malagueta verde e iogurte.

A cozinha nepalesa é maioritariamente vegetariana e oferece deliciosas experiências, em textura e sabor. A carne mais consumida nos restaurantes é o frango e o borrego. Peixe há pouco, que as águas frias das montanhas não proporcionam grandes pescarias.

O preço médio de uma refeição num restaurante é de 400 rupias nepalesas/3 euros por pessoa.

Se gosta de chá não perca o verde e o de gengibre. Duas delícias.

🚍 TRANSPORTES

O Nepal é um país seguro. Não hesite em apanhar um riquexó (tuk tuk) ou um táxi para se deslocar. São baratos, rápidos e encontram-se facilmente nas cidades. Um percurso médio em tuk tuk custa entre 100 a 150 rúpias/80 cêntimos a 1 euro. Também existem várias empresas de autocarros que param em diversos locais da cidade. São um meio de transporte para quem não se incomodar de viajar apertado num espaço superlotado.

O trânsito é caótico, barulhento, poluente e imenso; carros, pessoas, motos, tuk tuks, camionetas dos mais variados tamanhos circulam por todo o lado sem mostrarem o mínimo conhecimento do código da estrada. Praticamente não existem passeios, por isso andar a pé é uma actividade que comporta certos riscos. Tenha em mente que no Nepal se conduz pela esquerda.

👜 ARTESANATO

Katmandu tem um mercado de bijutaria colorida, facas de metal, estatuetas, marionetas e máscaras nepalesas feitas de papel machê. A Praça Principal é um enorme mercado ao ar livre que vale a pena visitar.

À volta de Boudhanath encontram-se várias lojas de tankas tibetanos, as belíssimas pinturas sobre tela que falam de harmonia.

Patan é o lugar ideal para comprar taças tibetanas, conhecidas como singing bowls.

Baktapur oferece uma grande variedade de gongos, lâmpadas e estatuetas em metal de muito boa qualidade.

🌞 METEOROLOGIA NO NEPAL

https://www.accuweather.com/en/np/nepal-weather

💡DICAS

  • TRÊS DADOS IMPORTANTES A RETER NA PREPARAÇÃO DE UMA VIAGEM AO NEPAL

1. É necessário visto para entrar no Nepal. Pode ser comprado à chegada ao aeroporto mas para isso tem que se ir munido de duas fotografias tipo passaporte e 25 dólares/22 euros;

2. A burocracia é um caso muito sério no Nepal e convém levar muita paciência na bagagem e ir com bastante tempo de avanço para o aeroporto, no caso de ter um voo para apanhar;

3. Ter um guia local aumenta significativamente a qualidade da viagem. Leva-nos a lugares que não estão nos roteiros turísticos, fala da vida local com conhecimento de causa, permite uma troca de informações que não estão em nenhum guia de viagens.

Se quiser contratar um guia directamente fale com Rabin Giri

  • ALIMENTAÇÃO
  1. As bebidas devem ser sempre engarrafadas, excepto o chá ou o café dado que, neste caso, a água é fervida. Nunca beber água da torneira é uma das primeiras regras de quem não quer adoecer por estas paragens.
  2. A comida deve ser sempre consumida cozinhada. Se é do género de turista que gosta de experimentar a comida local de rua, aconselho a que fique pela samoza (pastel cuja massa é feita com farinha de trigo e recheado com batata). Comi várias, gostei e passei pela experiência sem qualquer efeito secundário. Ao comprar fruta escolha só as que estão com casca. Nunca compre fruta descascada e fatiada, sujeita a contaminação. Há que dizer que o Nepal não tem sistema de refrigeração e que quase tudo se vende nas ruas, onde a poluição é significativa.
  3. Comer com as mãos é uma prática comum na Ásia e, portanto, no Nepal. Eu adoro. Se for o seu caso, não hesite.
  • DINHEIRO

Não existem muitas Caixas Multibanco no Nepal e muitas vezes estão fora de serviço. Trocar dinheiro é bastante mais fácil nas Casas de Câmbio do que nos Bancos, onde é exigida a apresentação de passaporte, morada no Nepal e o preenchimento de um longo questionário.

Já que falamos em dinheiro, há que dizer que a vida no Nepal é extremamente barata quando comparada com os preços europeus.

A gorjeta é uma instituição nacional. Qualquer que seja o serviço que nos presta, o nepalês espera que lhe demos uma gorjeta, quer seja o empregado do hotel que carrega as malas, o empregado de mesa, o religioso que posou para a fotografia, o motorista do carro que alugou, o guia turístico. A gorjeta também depende da função. Em média deve dar-se 1 euros/100 rupias por pessoa ao motorista e 2 euros/200 rupias por pessoa ao guia. Inclua no seu orçamento um montante para as gorjetas.

Se este hábito não for muito do seu agrado lembre-se que 20 rúpias/15 cêntimos quase não faz diferença no seu orçamento mas pode pagar um terço de uma refeição caseira.

  • COMPORTAMENTOS

a) o contacto físico não é apreciado porque significa falta de respeito. A saudação típica no Nepal é feita com o delicado gesto de unir as mãos junto ao peito e pronunciar Namastê. Que significa “o divino que habita em mim saúda o divino que habita em ti”.

b) um nepalês raramente olhará uma mulher casada nos olhos. É para ele falta de respeito para com o marido. Minhas senhoras, não se admirem, e não se enervem, se fizerem perguntas a um vendedor, a um guia, ao recepcionista do hotel e ele responder directamente ao vosso acompanhante. Irá também aperceber-se que os homens têm sempre prioridade sobre as mulheres. Vá de coração aberto. Não conseguirá mudar a cultura ancestral do Nepal numa semana de viagem. Aceite e desfrute das suas férias.

c) as mulheres e os homens não exibem os seus corpos. Um turista em camisolas sem mangas e de calções destaca-se muito facilmente na multidão. Pessoalmente prefiro vestir-me como as mulheres locais, por respeito à cultura do país, para evitar olhares masculinos indesejáveis e porque as roupas são lindas e hiper confortáveis. As lojas de roupa têm uma oferta variada de saris, punjabis e calças a preços irrisórios. Pode comprar um par de calças de algodão por 3 euros e combinar com as suas t-shirts de meia manga. Os lenços ao pescoço são sinal de respeito e, além disso, compõem a indumentária. Os homens vestem de camisa, t-shirt e calças.

2 thoughts on “ROTEIRO NEPAL, dos templos budistas até aos Himalaias!

  1. Li tudo e adorei. Quase que me convence a ir visitar um país que nunca tive vontade de conhecer, talvez por ignorância. A continuar porque muito se aprende e se aprecia. Obrigada!

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    1. Que bom ler o seu comentário logo pela manhã. E saber que o artigo sobre o Nepal teve esse efeito de (quase) a convencer a lá ir. É um país cheio de riqueza espiritual e arquitetónica. A tudo isso se junta a simpatia dos nepaleses. Laureie muito o queijo, Graça. Saudações bloguistas.

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